terça-feira, 27 de janeiro de 2009

FUGINDO UM POUCO DO TEMA... MAS NEM TANTO!

Já que venho falando da formação dos professores/alfabetizadores (a quem podemos chamar de pedagogos), seria interessante, também, nos questionarmos quem é esse profissional. Afinal, se queremos saber qual a melhor formação para ele, temos que saber quem ele é.

Muito se tem dito, muito se tem escrito a respeito desse profissional, mas, parece-me, de "oficial" não temos nada que nos diga quem ele é. Será a sua profissão reconhecida? Terá ele um código deontológico (como dizem meus patrícios portugueses)? Qual é a sua real ocupação? É um professor? É um técnico da educação?

Para tirar um pouco as nossas dúvidas, vejamos um projeto que tramita em Brasília sobre a regulamentação da profissão de pedagogo:



Trabalho aprova regulamentação da profissão de pedagogo
Edson Santos
Edgar Moury: texto reconhece habilitação de profissionais com formação diversa e pós-graduação na área.
A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público aprovou, na terça-feira (9), a regulamentação da profissão de pedagogo. O texto aprovado é o substitutivo da Comissão de Educação e Cultura ao Projeto de Lei 4746/98, do deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).

De acordo com o substitutivo, é permitido ao pedagogo o exercício das seguintes atividades:

- elaboração, planejamento, implementação, coordenação, acompanhamento, supervisão e avaliação de estudos, planos, programas e projetos relacionados aos processos educativos escolares e não-escolares, à gestão educacional no âmbito dos sistemas de ensino e de empresas de qualquer setor econômico, e à formulação de políticas públicas na área de educação;

- desempenho, nos sistemas de ensino, das funções de suporte pedagógico à docência, como administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional;

- ensino de disciplinas pedagógicas e afins nos cursos de formação de professores;

- desenvolvimento de novas tecnologias educacionais nas diversas áreas do conhecimento; e

- recrutamento, seleção e elaboração de programas de treinamento e projetos técnico-educacionais em instituições de diversas naturezas.

NOTA PESSOAL DO AUTOR DO BLOG:
Se esta jurisprudência vier a efetivar-se, pelo que está dito até aqui, o pedagogo NÃO será um professor/alfabetizador NEM de séries iniciais do Ensino Fundamental.
Poderá, no máximo, ensinar disciplinas pedagógicas nos cursos de formação de novos professores. A questão que se levanta e não quer calar: quem vai assumir a alfabetização das crianças? Acredito que estamos caminhando para aquilo que eu venho defendendo - o curso de Pedagogia NÃO é o local mais adequado para formar esses professores/alfabetizadores - ele forma (tal como agora se pode ver nesta regulamentação) o cientista da educação, o "técnico" em educação. Nesse sentido, vou continuar a defender a criação de um novo curso (específico) para a formação do professor/alfabetizador.


Jurisprudência
O relator, deputado Edgar Moury (PMDB-PE), ao recomendar a aprovação da matéria, ressaltou que o substitutivo da Comissão de Educação atende aos requisitos da súmula de jurisprudência sobre a regulamentação de profissões.

Ele disse ainda que o substitutivo corrigiu falhas da proposta original ao reconhecer a habilitação de profissionais com formação diversa e pós-graduação em pedagogia; e ao eliminar a criação de conselhos profissionais, assunto já tratado na legislação em vigor.

Inclusão obrigatória
A proposta torna obrigatória a inclusão de um pedagogo nas equipes governamentais encarregadas da elaboração e execução de planos, estudos, programas e projetos educacionais.

Além disso, exige a contratação de um pedagogo como responsável técnico pelas empresas de prestação de serviços educacionais.

O texto original do projeto considera as atividades de diretor, coordenador pedagógico, orientador educacional, supervisor de ensino e secretário escolar como de competência privativa do pedagogo. Mas a Comissão de Educação excluiu a palavra "privativa".

NOTA DO AUTOR DO BLOG:
A profissão pode até ficar regulamentada, mas (tem sempre esse malfadado MAS!) não serão os pedagogos os únicos a poderem exercer aquilo que se diz que eles podem executar. Vamos ter que enfrentar a concorrência, quantas vezes desleal, de outros profissionais. Embora seja um passo adiante na vida do pedagogo quase podemos dizer que a cada dois passos para a frente temos que dar um para trás. Avançamos em ritmo de tartaruga!

Tramitação
Sujeito à análise em caráter conclusivo, o projeto ainda será examinado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Notícias anteriores:
Educação aprova regulamentação da profissão de pedagogo
Educação elege vencedores do Prêmio Darcy Ribeiro 2008
Projeto obriga escola a ter orientador educacional
Orçamento social cresce 17,1% e privilegia educação
Câmara aprova disciplina sobre drogas na educação básica
Ensino superior: comissão aprova lista de informações obrigatórias
Educação aprova projeto que promove debate de questões ambientais

Reportagem - Oscar Telles
Edição - Newton Araújo Jr.


(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')

Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br

http://www2.camara.gov.br/homeagencia/materias.html?pk=129726


Podemos perceber que a história do pedagogo vem sendo escrita por linhas enviesadas até este momento, pois tem lhe sido atribuída uma função para a qual ele não está mais diretamente formado. Talvez - acredito eu piamente - esteja aí o motivo de se buscarem tantas alternativas e modelos diferenciados para um curso que deveria ter um núcleo duro comum capaz de formar esse profissional e uma parte diversificada que possibilite a adequação às diversas realidades sociais que ele tem que atender.


Com o estudo que pretendo realizar buscarei ao máximo o embasamento necessário para verificar esta minha tese que, como qualquer outra, poderá confirmar-se ou não.


Aguardo os vossos comentários!


sábado, 10 de janeiro de 2009

PROSSEGUINDO

À minha primeira questão sobre a temática que aqui levanto tive apenas a colaboração da amiga Alásia - a quem agradeço duplamente pela participação e pela oportunidade que me oferece de continuar refletindo - mas isso não é motivo para desistir: sou persistente e vou dar continuidade à minha reflexão sobre este tema que tem enorme necessidade de ser dabatido com coragem e frontalidade.

Perguntei, anteriormente, se o Curso de Pedagogia é o mais apropriado centro de formação de professores alfabetizadores. Esperava um debate (troca de opiniões) um pouco mais acirrado tendo em vista todas as dificuldades pelas quais o referido curso passou recentemente e, podemos até dizer, continua a passar. É que eu acredito que o mesmo ainda carece de uma identidade, de uma afirmação enquanto curso com uma especificidade. Tentemos responder a estas perguntas: Quem é (profissionalmente falando) o pedagogo? Para que prepara o curso de Pedagogia, apesar do que está determinado na nossa LDB?

Mas, o mais importante a ser respondido neste momento ainda é: De qual curso de Pedagogia estamos falando?

Como no post anterior, vou tentar colocar um pouco de lenha nessa fogueira ao manifestar a minha percepção sobre este assunto específico. Assim, quando analiso algumas das grades curriculares de alguns cursos de Pedagogia, percebo que não há uma declarada intenção voltada à formação de um profissional com todas as habilidades necessárias ao exercício da docência, principalmente na Educação Infantil e nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental que é, segundo a legislação vigente, uma das funções precípuas desse curso. Quando falo de alguns já deixo perceber que existe uma gama diversificada deles (como diz Alásia: "já existem mais de 500 variações de cursos de Pedaogogia no país por dentro dos 5 tipos oficiais de cursos que passam a depender do tipo de instituição de ensino superior - se universidade, se Centro Universitário, se Faculdades integradas, se faculdades isoladas, se instituos superiores"). Pois é... se não há uma "uniformidade", como determinar o tipo de profissional que se está preparando? Vou um pouco mais além. Não podemos deixar de considerar as "modalidades" que esses cursos apresentam: de final de semana, em dois anos de duração, com e sem estágio (consideram que o professor que já está em sala de aula já tem experiência suficiente) etc. É aqui que eu levanto sérios problemas. Se o professor já tem experiência (comporta nisso toda uma série de vícios já arraigados que não são eliminados durante a sua "formação superior") isso significa que não haverá transformação no seu modo de operar e, consequentemente, a perpetuação do mesmo modelo de educação que já tiveram os nossos pais.

Será que se espera alcançar uma educação de melhor qualidade preparando(?) esses professores desse modo?

Aguardo as vossas opiniões.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

UMA PRIMEIRA QUESTÃO

Pudemos ler, recentemente, uma entrevista da antropóloga Eunice Durhan (Revista VEJA, edição 2088, de 26 de novembro de 2008), na qual ela afirma: "Os cursos de pedagogia desprezam a prática da sala de aula e supervalorizam teorias supostamente mais nobres. Os alunos saem de lá sem saber ensinar".

Deixando de lado as cor partidárias da entrevistadora e o fisiologismo do veículo que realiza essa entrevista, cabe aqui um primeiro questionamento, simples e direto: É, efetivamente, o curso de Pedagogia o mais apropriado centro de formação de professores alfabetizadores?

Para provocar um debate mais aprofundado desejo acrescentar que, na minha opinião e nos moldes deste que aí temos, NÃO!

Mas não vou apenas deter-me na negativa pura e simples, procurarei argumentar com dados já coletados por mim, visando enriquecer o debate. Por exemplo, na Europa o curso de Pedagogia não busca formar professores e sim Cientistas da Educação (estão neste caso, dentre as realidades que melhor conheço, Portugal e França). Nestes países, a formação do professor é feita em cursos de nível superior (Cursos de Formação de Professores), nos quais os futuros profissionais são instrumentalizados para trabalharem com essa realidade específica. Assim, uma vez que se é ingressante num desses cursos, deve-se optar pela área de atuação na qual se pretende desenvolver o trabalho (por exemplo: educação infantil/alfabetização ou pelas áreas específicas). A partir daí o formando entra em contato com essa realidade e com a forma de nela agir. A prática é uma constante e o aprendizado uma decorrência. E nós, formamos, instrumentalizamos, ou nem uma coisa nem a outra? Dê sua opinião!

UMA MENSAGEM DE BOAS VINDAS

Este espaço tem uma finalidade declarada: procurará ser um elo entre o seu autor - um educador/formador de profissionais da educação que a partir daqui chamarei simplesmente de PROFESSORES - e todos aqueles que tiverem uma opinião formada sobre a temática que aqui se deseja discutir, isto é, a formação de professores. O assunto não é novo, porém é sempre meritório de uma reflexão mais aprofundada, apesar dos "rios de tinta" que já foram vertidos sobre a alva virgindade dos papéis, quantos dos quais transformados em livros.

A proposta encerra em si a necessidade do diálogo. Acredito, diante de diversidade que dois ou mais seres sociais representam, que essa é a melhor forma de se atingir uma visão mais focada da realidade. Quem navegar um pouco por essas águas agitadas da educação deve perceber com certa facilidade que muito se tem proposto de fórmulas, modelos, programas, cursos, para se alcançar uma formação desse profissional que esteja o mais perto possível da perfeição. Os resultados obtidos, no entanto, não têm sido animadores, a julgar pelos índices e os tons das críticas que a estes têm sido direcionadas. Muitos questionamentos se podem fazer a esse sujeito. Muitas respostas se tem fornecido, mas, parece-me, não se tem "pegado o touro pelos chifres".

Assim, não deve ser de estranhar que eu tenha uma visão diferente de muita gente sobre este tema. Neste espaço desejo, pois, levantar questões que, a meu julgar, são pertinentes à temática e buscarei no apoio das opiniões de todos aqueles que desejarem manifestar-se e comigo discutir para construir uma tese sólida sobre a formação do educador, principalmente daquele que eu considero ser o responsável pela solidez do sucesso educacional de um país, o professor alfabetizador.

A todos que até aqui chegarem e se dignarem comigo debater deixo os sinceros votos de boas vindas e um pedido: A sua participação é muito importante para mim, use este espaço sem parcimônia e lembre-se, por favor, de me fornecer referências sobre os possíveis dados que forneça.

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