domingo, 20 de outubro de 2013

RIGOR = TRADICIONALISMO?

Como podem perceber, já faz bastante tempo que abracei a luta pela melhoria na formação dos futuros docentes, aqueles responsáveis, segundo muitos dos entendidos nos assuntos educacionais, pela formação dos predestinados a serem o futuro da nação. 

Como tal, preocupo-me constantemente em fazer análises de dados que vão sendo fornecidos pelas avaliações que o nosso governo prodigaliza. Hoje vou tentar abordar uma das facetas da formação docente menos (?) discutidas neste momento: a necessidade do rigor (tanto científico como disciplinar) por parte do docente. Tomo para base de análise alguns dados do Ideb - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - relativos ao ano de 2011, no Estado do Ceará, ano em que se atingiu a meta proposta pelo ministério da educação.

Dentre os dados que nos são apresentados um, em especial, me chama a atenção: A relação das melhores escolas públicas do 6º ao 9º anos. Vejamos um pouco esses dados. Entre as 10 primeiras classificadas temos: em primeiro lugar, com nota 6,8 - Colégio Militar de Fortaleza; em 7º lugar, com nota 6,1 - o Colégio Militar dos Bombeiros (Fort.); em 9º lugar, com nota 6,0 - Colégio da Polícia Militar do Ceará (Fort.). Um detalhe que parece importante: a média geral do Ideb no Estado do Ceará, nesse ano, foi 4,9.

Algumas reflexões são possíveis, mesmo se não há, a meu entender, como retirar conclusões mais aprofundadas. No entanto, considerando que os professores que ali ministram aulas não são diferentes, no saber, dos que exercem a mesma função noutras instituições, acredito que vale sempre questionar qual a importância que uma prática mais rigorosa da forma de exigir resultados na aprendizagem e nas limitações comportamentais que são exigidas nesses estabelecimento de ensino acarretam para a concretização de objetivos educacionais - principalmente para se atingirem metas propostas. Não defendo, em hipótese alguma, que a tirania possa ser medida de capacitação ou educação de quem quer que seja e muito menos afirmar que naquelas instituições apontadas se pratique a tirania, o que pretendo dizer - e isso defenderei até à morte - é que sem uma quantidade bem dosada de alguns ingredientes, não há como atingir um nível mais elevado na educação. Entre esses ingredientes seleciono para compor o "bouquet" principal: 
- mais exigência no quesito respeito ao aprendizado; 
- mais cobrança, via modos avaliativos, de resultados afirmativos; 
- rigor no tempo de duração das aulas;
- cumprimento, em tempo hábil, das tarefas propostas; 
- maior aprofundamento na leitura e na escrita... para ficar por aqui.  

Estou aberto às críticas que sei virão em profusão. A menor das acusações será, certamente, a de defensor do tradicionalismo. Juro-lhes que não é nada disso. Tenho experiência suficiente para fazer minhas considerações; tenho relatos de alunos que exigem, eles mesmos, mais rigor etc. etc., pois percebem que em meio a uma claudicante permissividade que se pratica, se escondem: fracos e insuficientes conteúdos; péssima qualidade formativa e, ainda, insegurança profissional para os formandos. Para que quadro mais deprimente?

A tendência, hodiernamente, quando se fala em elevação da qualidade da educação, é o aumento da carga horária e da matriz curricular dos cursos - via aumento de menos elementos de mais disciplinas, deixando na lateral o aprofundamento daquilo que já é oferecido e a consequente cobrança de aprendizado. No jargão mais ao gosto de alguns educadores (?) o que é preciso é "passar a mão na cabeça do aluno" para não traumatizar o coitadinho. Continuemos nessa prática e mantenhamos os lençóis próximos para enxugar as lágrimas vertidas em virtude da degradação constante e acelerada pela qual vem passando a nossa sociedade educacional. Não que a educação seja a panaceia capaz de tudo sanar... mas que ela é um grande e potente veículo, lá isso ninguém pode negar, mas e esse é meu ponto de vista, educação também rima com responsabilidade e exigência, tudo dentro dos limites.   





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