quarta-feira, 24 de outubro de 2012

COTAS SOCIAIS: SOLUÇÃO OU COMPLICAÇÃO?

Vou tentar, num breve ensaio, refletir sobre o meu ponto de vista a respeito do assunto em tela: as cotas sociais no ensino superior brasileiro. Para isso sou obrigado a enfiar o meu dedo na ferida e resistir aos primeiros gritos provocados, sejam eles de dor ou de descontentamento. Faço esta advertência, pois sei que atitudes hipócritas vão se manifestar apenas para fazer o jogo do políticamento correto. Prefiro a realidade do pé no chão que o idealismo vaporoso que se esfuma ao primeiro sopro mais agressivo.

Pois bem, todo este blá-blá-blá para iniciar dizendo (creio deveria dizer - gritar, pois todo mundo está cansado de saber, mas não admite) que a nossa educação - tanto a superior, quanto a "inferior" - está péssima. Antes de continuar façamos logo os destaques necessários: NÃO GENERALIZO, mas considero a maioria como critério de avaliação.

Há alguns anos na educação superior (que já quando da minha graduação o meu professor de História da Educação dizia que ela só era superior porque estava no andar mais altro) tenho tido o desconforto de receber a cada período (semestralmente) alunos menos qualificados para o ingresso na universidade. Os motivos são visíveis e facilmente comprováveis: eles estão chegando à universidade sabendo apenas e tão somente juntar as letras e soletrar as palavras. Esta situação implica noutra diretamente relacionada: a escrita deles que, se não é silábica pouco a avança. Esta é uma realidade que qualquer um pode comprovar, mas que nem todos querem encarar como real e assustadora. Preferem o jogo do avestruz e quando retiram a cabeça do buraco para respirar aproveitam para dizer que "está tudo bem". 

Decididamente não está bem e, acredito, vai piorar e não estou sendo apenas pessimista. Senão vejamos: Ao abrir as portas das universidades para os cotistas (e aqui eu quero incluir, principalmente os analfabetos e não aqueles que se diferenciam pela cor da pele - que eu considero uma aberração) estamos tentando inverter os valores e a lógica. Defendo sempre, logo costumo dizer, que a casa começa pelo alicerce. Numa comparação, a educação deve começar na infância, a construção do saber nos ensinos fundamental e médio e, por fim, no ensino superior, a aquisição de instrumentais capazes de permitirem que cada um desenvolva seu potencial em presença do seu pensar e saber. Esta é, a meu ver, a lógica que deve nortear qualquer sistema de ensino que se preze (estou esquecendo que nós, na realidade, não temos um, ainda precisamos criá-lo).

Voltando à universidade e ao sistema de cotas que se implantou e se quer universalizar: vamos ter como incumbência "alfabetizar e letrar" aqueles que ali chegam através desse processo. Isto me permite levantar a seguinte questão que, a bem da verdade, não é nenhuma novidade: Por que não investir pesado (10% ainda é pouco para quem tem grandes aspirações) na educação/instrução de nossas crianças e adolescentes para que elas, independente de cor, credo, opção sexual e todas as demais categorias excludentes possam chegar em pé de igualdade à universidade? 

Agindo assim estariam colocando o copo em pé de modo a poder enchê-lo convenientemente, pois, da forma como estão fazendo, querendo enchê-lo com ele deitado, será apenas um derramamento de recursos de toda a ordem e a ordem de todas as atitudes paliativas que venham a ser praticadas no setor educacional. 

É falta de vontade política de resolver pela ordem. É ordem política para resolver pela via mais fácil, rápida e menos perigosa à elite mandante.

A educação, ou melhor, as educações (à lá Brandão) superior e "inferior" merecem um pouco mais de atenção. Uma atenção coletiva e organizada.

Deixo a minha reflexão!      

domingo, 21 de outubro de 2012

AQUI TEM DE TUDO - UP UP UP UP

GUARDE BEM ESTE ENDEREÇO... ELE PODE LHE POUPAR MUITO TEMPO

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sábado, 13 de outubro de 2012

SOBRE O DIA DAS CRIANÇAS

Trago um texto que publiquei no blog de um amigo, parceiro profissional, camarada, em resposta a uma reflexão sua sobre o DIA DAS CRIANÇAS.


Ora pois bem... Não concordo com todas as palavras que disseste, mas defenderei até à morte o teu direito de dizê-las. Mas não basta dizer que não concordo, é preciso dizer por que e com quais delas. É para isso que aqui estou.
Quero começar dizendo que compreendo essa "felicidade" quando olho para a sociedade através das lentes do capitalismo que somos obrigados a viver (não por nossa vontade/escolha, mas sempre pela vontade dos outros). Porém, se fechar os olhos a essa sociedade e focar na possibilidade de construção de um mundo melhor é aí que começo a discordar de ti. O objeto pode até trazer alguma alegria/felicidade mesmo se passageira, mas os pais são/estão lá até que o desfecho de nossas vidas se encarrega de interromper essa relação. Logo, o objeto não oferece as condições de durabilidade que os pais. Depois, e, além disso, a afetividade, os laços que se estabelecem entre um e outros não são comparáveis.
Mas a minha maior angústia, nestes dias, é saber que existem seres que não sabem sequer que são crianças, tal a carga de responsabilidade que colocam sobre seus ombros; saber que há seres que sequer sabem que têm pais, tal o abandono em que estão mergulhados; saber que há humanos que fingem não saber que existem pessoas que não sabem o que é a felicidade, tamanho o seu individualismo.
É para estas que volto meu pensar neste momento. Aquelas que, mesmo na dificuldade, conseguem seus objetos são dignas de com eles se sentirem realizadas. Mas é para estas, a quem eu gostaria de dar apenas um pedaço de pão, quiçá estender-lhe um copo de água, tirar-lhe das mãos a ferramenta que as escraviza, as que merecem sempre muito mais o meu olhar. Um olhar que não é de compaixão... não, é um olhar de ódio contra aqueles que podem e nada fazem para minimizar o sofrimento de quem lhe é semelhante, apenas por pura ganância.
A sociedade, a humanidade, vão mal! Estão doentes e em fase quase terminal. Não é de doença física... não! É de demência. Todos estão ficando loucos por conta do tipo de gerenciamento que escolheram para si e suas relações com seus pares. Pares? Prefiro dizer seus "ímpares" - aqueles que sobram quando olham o próprio umbigo e se imaginam os senhores poderosos da situação. Esta humanidade tem me desgostado e é por isso que jamais vou baixar os braços diante das incoerências que ela me apresenta.
Não quero um mundo só para mim, quero um mundo onde eu possa ser igual a muitos outros e que jamais alguém seja inferior a ninguém. A primeira parte do meu desejo é fácil de ser conseguida, a segunda...
Mas entendo teu posicionamento.
Triste dia para milhões de crianças.

sábado, 6 de outubro de 2012

PROVA DOCENTE

Falar é socializar da forma mais direta o que se pensa a respeito de algo. Riscos, todos os corremos a todos os momentos em que expomos esse nosso pensar, pois a liberdadede de pensar e expressar seus pensamentos é fórmula certa de discussão e contraposição de opiniões.

Sim, mas tudo isto para dizer de forma bem simples que estou apoiando a iniciativa de da "Prova Docente". Se alguém pode argumentar que isso não é garantia da elevação da qualidade do ensino, outro pode contra-argumentar que através dessa prova teremos um novo instrumental para avaliar a qualidade da formação do professor.

O professor "concursado" passa, obrigatoriamente, pelo processo de seleção. Não vou questionar tal processo, mas não posso, de forma alguma, evitar o comentário e dizer que cada concurso é "um concurso" com toda a compreensão que isto possa engendrar. Nesse sentido, a "Prova Docente", a ser do modo que a imagino, (o que não significa dizer que eu seja o detentor da melhor fórmula!) poderá garantir um mínimo de qualidade aos futuros engajados na profissão docente, acabando de vez com o apadrinhamento político, a troca de favores eleitoreiros e outros "processos seletivos" que, infelizmente, conhecemos e estão disseminados por todo o território nacional e se constituem numa das chagas mais purulentas que o país parece não ter como tratar.

Tenho consciência que muitos de meus pares vão me excomungar por pensar assim. Mas esse sou eu. Não o mais correto, nem o mais certo e muito menos o mais cumpridor de todas as exigências, mas de uma coisa me orgulho: ainda conservo intacto o meu direito de me indignar, de fugir da hipocrisia de afirmar que "tudo está bem". Não está! E tudo que vier para melhorar terá o meu apoio.

Esta notícia, que veiculo, me acalentou. Mas não me alienou. Fazer a "Prova Docente" é, a meu entender, necessário e conviniente. Mas não esqueçam senhores do poder: qualidade tem preço. Querem mercadoria de primeira, paguem preço de primeira, ou, se assim preferirem, continuem a recorrer ao "contrabando paraguaio".





O Inep realizou, de 17 a 22 de setembro, o pré-teste da Prova Nacional de Concurso para Ingresso na Carreira Docente (Prova Docente). As provas foram aplicadas em 42 municípios de todas as regiões do Brasil com o objetivo de coletar dados para validar a Matriz de Referência que será adotada na primeira edição do Exame, prevista para o segundo semestre de 2013.
O pré-teste da Prova Docente contou com a participação de estudantes concluintes de cursos de Graduação e de professores que lecionam em redes estaduais e municipais de ensino para a Educação Infantil e nas séries iniciais do ensino fundamental. Os participantes foram escolhidos a partir de critérios estatísticos e psicométricos que garantissem uma amostra representativa e também o maior número possível de respondentes aos itens.
Os resultados de cada participante serão sigilosos, utilizados somente para pesquisas. O pré-teste da Prova Docente não tinha como objetivo avaliar o desempenho do professor, do município, dos estudantes ou da instituição de ensino.
Após a análise dos resultados, a Matriz de Referência será validada psicométrica e pedagogicamente e estará pronta para subsidiar a Prova Docente. Assim, a previsão é que a primeira edição da Prova Docente seja restrita aos candidatos que desejem lecionar na Educação Infantil e Séries/Anos Iniciais do Ensino Fundamental (incluindo EJA e Educação Especial) dos Estados e Municípios que aderirem à Prova.
(Inep)

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