sexta-feira, 25 de maio de 2012

"DOUTORES MOBRAL"

Não sei se chegaria a tanto, mas somos obrigados a admitir que há uma ponta de verdade nesta colocação:
"O problema é o mesmo no doutorado. Sendo muito otimista, acredito que metade desses milhares de alunos de doutorado é composta pelos que eu chamo de 'doutores mobral', o doutor analfabeto, que mal sabe ler um artigo científico, quanto mais escrever. O Brasil quer formar doutores, então vamos formar de verdade".
Fonte
Em algumas das minhas reflexões anteriores tenho manifestado essa mesma preocupação, principalmente quando aponto para a rapidez com que o Brasil passou de um extremo ao outro - de um país de elvadíssimo grau de analfabetismo a um pais elevado número de doutores. Quem tem o hábito de me ler sabe perfeitamente qual tem sido a minha discussão.
O problema, entretanto, se agrava quando percebemos que, para contribuir com esta assertiva de Marcelo Hermes, da UNB, contamos agora, ou mais recentemente, com a possibilidade de fazer um doutorado no exterior, principalmente nos países da América do Sul, bastando para tal ter apenas a graduação ou, quando muito, alguma especialização daquelas feitas ali, no quintal de casa, ocupando dois meios fins de semana por mês.
Essa situação dos doutorados no exterior tem me causado uma certa indignação por alguns bons motivos. O primeiro tem a ver com o modelo: duas idas ao Paraguai - também pode ser à Argentina, ou outro país da região - alguns trabalhos feitos a distância e aí está o diploma de Dr. O segundo é um pouco mais complicado, pois vai mexer com o corpo docente: regra geral, o corpo docente desses doutorados "empacotados", como lhes chamo, é constituído, também, por docentes brasileiros. Digo também, porque não há como dizer que é "exclusivamente". Nesse sentido, fica-me uma pergunta: por que não facilitar mais a entrada nos programas de pós nacionais, para evitar essa corrida desenfreada ao exterior? Tenho uma possível resposta: questão financeira. Que cada qual entenda a seu modo de ver.
Seja esta ou outra a resposta mais adequada à situação educacional brasileira, não podemos deixar de nos questionarmos sobre a existência desses "doutores mobral", pois, precisamos entender o risco que corre a nossa área científica e, além de tudo, cada um de nós conhece alguns desses "doutores", não é verdade?
 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

ELEVAÇÃO DA QUALIDADE DA EDUCAÇÃO ATRAVÉS DE PLACAS

"Pensemos no supérfluo como forma de escamotear a realidade" - esta parece ser a posição de tantos que se dizem preocupados com os rumos da educação. Em notícia veiculada neste dia 10/05/12, no portal da UOL, lê-se a seguinte notícia:

Pais têm direito de saber real qualidade da escola do filho, diz especialista.

 O especialista em educação Gustavo Ioschpe defende que os pais tenham o direito de saber a real qualidade da escola de seus filhos. A declaração foi dada na audiência pública da Comissão de Educação e Cultura sobre o Projeto de Lei 1530/11, que obriga as escolas de ensino básico a divulgar seu Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). A divulgação deverá ser feita em placas afixadas em locais visíveis na porta dos estabelecimentos.
Segundo o especialista, se já existe um sistema oficial de avaliação das escolas, ele tem que ser tornado público. “Precisamos do envolvimento da comunidade para que a educação brasileira tenha salto de qualidade”, justificou. “Os pais brasileiros desconhecem a qualidade do ensino das escolas de seus filhos”, complementou.

Nada tenho contra essa proposta apresentada pelo título, pois é pertinente. No entanto, cabe-me refletir, cá com os meus botões, sobre quantas questões não podem ser levantadas a respeito da forma como a proposta é apresentada pelo especialista. Vou iniciar uma pequena listagem que cada leitor deverá complementar a partir do seu racicínio crítico:
1 - Será que o nobre especialista ficaria satisfeito de ver um placa colocada na sua porta dizendo (apenas numa hipotética situação) que ele é mau pagador?
2 - Até ponto a afixação dessa placa implicaria na mudança na sua qualidade de pagador?
3 - O especialista está convencido da qualidade da avaliação realizada pelo IDEB?
4 - O especialista pretende envolver a comunidade acadêmica apenas através da afixação das placas?
5 - O especialista considera que apenas esse envolvimento da comunidade acadêmica é suficiente para "dar o salto de qualidade" que ele anuncia?
6 - Pelas palavras do especialista "os pais brasileiros desconhecem a qualidade do ensino das escolas de seus filhos"... O especialista conhece essa qualidade?
7 - Se a resposta à pergunta anterior for afirmativa, cabe a pergunta final: por que não propõe, então, ações capazes de reverter uma situação desfavorável, em vez de ficar querendo expor os outros ao ridículo com a afixação de placas?  

Bem... cada um vê meio-dia à sua porta do modo mais conviniente.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

MÁS NOVAS


Más notícias para a nossa já tão penalizada educação.

Ministro espera que comissão da Câmara aprove Plano Nacional de Educação ainda este mês


O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse hoje (7) que espera que o Plano Nacional de Educação seja votado e aprovado ainda este mês pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, criada para analisar o projeto de lei. Segundo ele, é importante que o plano seja aprovado na própria comissão, sem que seja necessário ir ao plenário da Casa.

Pelo regimento, a matéria só precisa ser votada na comissão especial, mas, se houver um requerimento com pelo menos 53 assinaturas, o projeto também será apreciado em plenário.

Não se trata de ser pessimista, é um caso que já deveria ter sido considerado de segurança nacional, mas os nosso políticos tratam do assunto como se fosse algo que muito os incomoda, mas que não merece o tratamento adequado. Todos sabemos que político odeia povo instruido. Então analisemos a situação:

O PNE já apresenta barbas e cabelos brancos, tamanho o tempo em que ele já se encontra em regime de aprovação. O maior perigo está nas palavras do próprio Ministro: 

"Para Mercadante, caso o projeto de lei precise ir a plenário, a votação do plano – que prevê metas para a educação brasileira até 2020 e foi encaminhado ao Congresso no início do ano passado – sofrerá um grande atraso. Isso porque, segundo Mercadante, muitos deputados federais começarão a focar em suas campanhas eleitorais para prefeituras, o que retardará a pauta na Câmara".

Será que alguém ainda duvida da extrema capacidade de raciocínio dos nossos representantes para atingirem essa ideia brilhante? Desiludam-se! Ao veicular esta mensagem estão dizendo, subliminarmente e nas entrelinhas: "Dane-se a educação, quando sobrar um tempinho pensamos nela, se, entretanto, não surgir nada mais urgente (e se não surgir nós inventamos)".

Vergonhoso. É o único adjetivo que vem na mente. Vergonhoso o trato da coisa pública que todos esses chupins viuvos (não da professora mas da educação) dão a quem, de tetas grandes e cheias, os alimenta. Desnaturados. Mal agradecidos que cospem no prato em que comem. 

Mas o mais cruel de tudo é ter aturar esse bando a gritar alto nos comícios que "Se eleitor for, lutarei por uma educação de qualidade"! Safados e mentirosos... é tudo o que eles são. E quem neles acredita só merece isso mesmo, nada mais, representantes podres. Fico possesso quando vejo o teatro ensaiado que eles encenam quando das eleições. Vontade não falta de lhes atirar na cara a verdade de suas ações, mas ao fazer isso, a polícia está de prontidão... não para o bandido que rouba milhões das bocas de crianças, mas para o professor que tem coragem de dizer a verdade. Esta é, a nossa educação, que "cria" excelentes agentes de segurança pública como aquele que jogou spray de pimenta nos olhos de uma cadelinha, lá na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro. Esse tipo de gente é aquela que interessa aos nossos mandantes: aqueles que cegamente obedecem e que agem de forma bestializada, atendendo ao preconizado pelo governador de um estado sulista.

Salve a nossa educação! 

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