domingo, 29 de janeiro de 2012

SANDÁLIAS HAVAIANAS

Um Mineiro está visitando o amigo carioca que sofreu um acidente de
carro e que irá ficar, temporariamente, de cama, e mora numa belíssima casa de dois andares, no Jardim Botânico.

De repente o acidentado diz:
- Eu deixei as minhas sandálias lá em cima no meu quarto.
Você não quer ir lá pegar pra mim, por favor?
Quebra essa, vai?

- Não dá para recusar este tipo de favor, não é?

Então, o cara sobe a escada e vai até o quarto do amigo.
Chegando lá, ele percebe que a porta do banheiro está se abrindo e as duas lindas filhas gêmeas do amigo, 18 aninhos recém completados, estão saindo, com apenas um robe suficientemente transparente para escancarar os tesouros que elas inocentemente deixaram à vista.

O cara, um mineirim de belzonti, com 27 anos,  não perde a chance:
- Oi meninas, foi seu pai que me pediu para subir e transar
com vocês!

As duas olham-se incrédulas:
- Ele nunca iria dizer isso!

- É lógico que disse! - responde ele - Querem ver?

E, gritando para o amigo lá embaixo, pergunta:

- É pra pegar só uma ou as duas?

 
- CLAAROOOO QUE AS DUAS, POOORRRAAAAA !!!!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A COR DO BIGODE

Aproxima-se de novo o início das atividades escolares e com ele surgem também problemas a serem discutidos (ou não, o que é pior!) sobre os destinos da educação no país.

Neste link podemos ler a notícia completa sobre o assunto aqui delineado:

Senado pode decidir este ano se ensino fundamental público será em tempo integral


O poder público poderá ser obrigado a oferecer ensino fundamental em tempo integral. Pronta para ser votada em Plenário, a PEC 94/03) muda dois artigos da Constituição e o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, para que a mudança ocorra de forma gradual.

(...)


Fico preocupado com os termos em que o assunto é apresentado e, também, tratado. Inicialmente, repare-se, trata-se de uma obrigatoriedade, o que já não é grande referência, pois aquilo que fazemos "obrigados" é, normalmente, mal feito, pois não é de nossos interesse fazer. Mas este não chega a ser o nó do problema.

Há uma tentativa de nos fazer crer que "todas as crianças estão na escola". Vale ressaltar que quem nos faz essa afirmação se contradiz de imediato ao afirmar que são 98% das crianças que frequentam a escola. Ora nem aqui nem na China, 98% de qualquer coisa representa a totalidade. Não fosse isso suficiente, metade dessas crianças "estão na escola" em tempo parcial, isto é, quatro horas (?) por dia, para que a outra metade possa estar, também outro tanto tempo. 
É a realidade mais fácil de verificar e aquela que mais argumentos nos dá para que acreditemos na "falácia" da escola em tempo integral. Falácia, não porque o modelo não seja louvável, muito menos porque sejamos contra ele. O que precisa ser examinado é uma simples equação que prova a inoperância do projeto. Vejamos: em três turnos - considerando aí o ensino noturno - nós conseguimos então, pelos números oficiais do governo, colocar 98% das crianças (leia-se população em idade escolar) na escola, desde que divididos em períodos de quatro horas. Sabemos que as condições não são as melhores se considerarmos a relação sala/número de alunos. E aqui surge a grande questão que precisa ser respondida: para abrigar TODAS as crianças na escola integral teríamos que ter, necessáriamente, o dobro de escolas existentes atualmente. Este é um cálculo fácil de entender. Como o governo quer equacionar este problema se, até para manter as escolas existentes, há um desinteresse nítido e flagrante? Acredito que o novo ministro da educação vai estar a braços com um problemão e tanto. 

Mas se quiser apimentar um pouco mais esta discussão tente apenas perceber o quiprocó que não vai ser o fato de ter que praticamente duplicar o número de professores (ou ter que matar de tarabalhar os lotados atualmente, em troca de um salário de miséria). 

Com tudo isto só posso desejar sorte (e muita) ao Sr. Aloízio Mercadante que assume hoje a pasta do Ministério da Educação. Mas atenção ministro... cuide para que seu bigode não fique branco antes do tempo.


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A VIDA COMO ELA É

Toledo é uma cidade que fica distante, aproximadamente, uns 70 kms de Madrid, em Espanha. Nela foi encontrado um azulejo que define a Sociedade de uma forma bastante real, muito embora tenha aqui ou ali uma dose de exagero, ver mesmo de malícia. Não deixa, em todo caso, de traduzir o pensar de uma parcela significativa da população que sempre tenta arranjar um responsável pelas agruras que passa nesta vida.

Este é o famoso Azulejo de Toledo:


Azulejo de Toledo.jpg
Para que não tenham dúvidas... Esta é a sua tradução para português:

A SOCIEDADE É ASSIM:
O POBRE TRABALHA
O RICO EXPLORA-O
O SOLDADO DEFENDE OS DOIS
O CONTRIBUINTE PAGA PELOS TRÊS
O VAGABUNDO DESCANSA PELOS QUATRO
O BÊBADO BEBE PELOS CINCO
O BANQUEIRO "ESFOLA" OS SEIS
O ADVOGADO ENGANA OS SETE
O MÉDICO MATA OS OITO
O COVEIRO ENTERRA OS NOVE
O POLÍTICO VIVE DOS DEZ

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

HISTÓRIAS DE APRENDER A SER

Transcrevo notícia veiculada no Jornal "O Povo" da capital alencarina. Podem chamar de plágio, do que quiserem, pois eu apenas pretendo mostrar, dar mais visibilidade a uma História de vida que poucas pessoas devem conhecer e que pode muito bem servir de exemplo para a nossa juventude que tem como opção assistir estupros ao vivo em programas de televisão.

Aos meus amigos educadores peço, caso concordem, que relatem esta história como forma de motivar as nossas crianças.
Eis a História, tal como contada no jornal:

Tenente Silva 23/01/2012 - 01h00

Soldado da vida





Quando saiu da casa, do calor da cama, o menino sabia apenas que se chamava José. Passou a ser, da porta para fora, o Já Morreu, o Zé Gobira, o Zé do Pioí. Do caminho de 15 quilômetros que fez, no início dos anos 1960, do distrito Baixio das Palmeiras para a sede do município, no Crato (a 504 quilômetros de Fortaleza), deixou para trás o quase nada que tinha. Levou apenas a roupa do corpo e a vontade de ter uma vida melhor. Mas tinha pouca consciência disso.

Queria mesmo era fugir das maldades da nova mulher do pai. No entanto, descobriu, da pior forma, que ao fim dos gracejos de criança, o menino não tinha mais a coberta de taipa da casa. E pedia guarita na igreja e no cemitério. Sem medo, porque era menino criado no “mei” do mato.

Os caminhos levaram José rumo à fome e às humilhações. Resolveu trilhar o mais difícil: foi engraxate, gari, limpador de carros. “Mais fácil era ter ido pro lado errado”, diz. Aos 18 anos, resolveu tirar um documento e se descobriu José Gonçalves da Silva.

Anos depois, cujo percurso você descobre na entrevista que segue, o José torna-se Tenente Silva e faz o caminho de volta. Do Crato para o Baixio das Palmeiras. Na volta, leva o coturno, a farda e o orgulho de ter se tornado o coordenador disciplinar do Colégio da Polícia Militar. “Não posso dizer que sou um vencedor. Ainda estou vencendo”.

O POVO – O senhor fugiu de casa aos 7 anos. Mas antes disso, quais são as primeiras lembranças que guarda da infância?
Tenente José Gonçalves da Silva - Eu morava num distrito chamado Baixio das Palmeiras, no Crato. Comecei a trabalhar muito cedo. Mas a brincadeira melhor que eu gostava era de correr com um cavalo de pau, pulada de açude, correr de jumento. E correr nos fundos da vida, sem destino, por aventura, para ver qual menino chegava mais rápido. O meu pai era agricultor. Nós éramos 12 irmãos, seis por parte de pai, três por parte de mãe e três por parte de pai e mãe. Os dois já eram viúvos.

OP – Por que resolveu fugir?
Tenente Silva - Minha mãe morreu primeiro. Aí meu pai casou de novo. E minha madrasta não se dava bem com a gente, porque via filho do meu pai, filho da minha mãe, filho dos dois e ela sem ter nenhum. Aí ela achava que podia mandar nas duas famílias. Nós ficamos revoltados. Meu pai dizia uma coisa, ela mandava fazer outra e ninguém sabia a quem atender. E aí fomos nos desgastando e um dia eu abandonei sozinho a casa, aos 7 anos. Vim a pé pro Crato. São 15 quilômetros, quatro horas a pé. Fazia um sol desgraçado. Saí de manhã cedinho. O meu pai foi atrás de mim e eu me escondi, para não voltar, porque eu não queria dizer a ele o motivo de eu ter fugido. Eu tinha medo de apanhar.

OP – E o senhor ficou ao relento, morando nas ruas do Crato?
Tenente Silva - Eu fui parar na igreja. Dormi lá vários meses. Um sacristão quando viu minha estrutura física, sujo, uma roupa só, chinelo, me botou para correr da igreja. Ele era uma pessoa boa, só me expulsou porque era o papel dele. Era por volta de uma hora da manhã. Eu não tinha o que fazer, encontrei o cemitério da cidade. Cheguei lá e falei com o vigia. Eu disse: “Rapaz, eu estava lá na igreja e o sacristão me botou para correr”. Ele disse: “Se você quiser dormir aqui... Você não é ‘malino’, não?” Eu disse: “Sou não”. “E seu pai?”. “Meu pai mora no Baixio das Palmeiras”. “E se ele vier lhe buscar?”. “Se ele vier me buscar, eu vou”. Mas eu disse isso que era pra ele deixar eu dormir. Ele disse: “inclusive morreu uma pessoa aqui, faz dois dias, está bem fresquinho. Eu saía pra rua, pedir esmolas. Voltava para dormir. Menino criado no ‘mei’ dos matos não tem medo de nada. Eu tenho medo é hoje.

OP – O que a rua lhe ensinou?
Tenente Silva – Aprendi a lavar o carro, comecei a pegar carrego, que são pessoas que colocam 50 quilos na cabeça. Ia para a feira, colocava um balaio na cabeça e as madames iam só pegando. Arroz? Na cabeça. Feijão? Na minha cabeça. (Entregava) Longe, dois, três quilômetros. Depois voltava correndo, para pegar outro carrego. Então, dia de segunda-feira, eu tinha um dinheirinho para comer por dois dias. Quando chovia, eu ficava debaixo dos alpendres. E quando era chuva de vento, eu não dormia, ficava de pé.

OP – O seu pai foi lhe procurar?
Tenente Silva – Foi, mas não encontrou, não. Quando ele estava na cidade, eu me escondia. Eu não queria encontrá-los. Em dias de feira, na segunda, eles iam para o Crato, mas eu estava sujo. tinha vergonha. Eu me escondia, os via de longe e só aparecia de novo quando eles iam embora.

OP – O senhor criou o apelido no cemitério de “Já Morreu”?
Tenente Silva – Porque eu era muito sujo e “maguim” demais. Não sabia o que era tomar banho, escovar a boca. Eu lavava só o rosto e os pés e com a mesma roupa, passava a semana. Para lavar, eu ia lá para um canal e tirava a camiseta e bermuda, e ficava só com a cueca. Não lavava a cueca porque era muito tempo para enxugar. Às vezes, eu vestia (a roupa) molhada mesmo. Quando era à noite, eu estava com as minhas partes íntimas tudo vermelha, de assada. De semana é que eu ia tomar banho em postos de gasolina.

OP – Como foi a experiência de trabalhar de gari no Crato?
Tenente Silva – Eu pegando “bigu” nos caminhões de lixo, menino saliente. Eu peguei o apelido de Zé Gobira, porque era uma pessoa muito saliente, muito andador. Foi um dos motoristas de caminhão (de lixo) que ofereceu o emprego. Eu tinha uns 12 anos. Morei na rua dos 7 aos 19 anos na rua. E dormia dentro da garagem do caminhão. Eu acordava no meio da noite, com as minhas partes íntimas cheias de barata. Eu trabalhava durante o dia e, na hora que eu saía do trabalho, não podia lavar a roupa e dormir com ela molhada. Ia ficar nu onde, na prefeitura? Naquela época, não tinha farda. Depois, saí da prefeitura e voltei ao convívio das ruas, para pedir esmolas.

OP – E porque o senhor saiu do emprego de gari?
Tenente Silva – Porque eu abusei, era muito menino, não tinha juízo. Voltei a dormir no cemitério e fui ser engraxate.

OP – O senhor, quando fugiu de casa, não levou documentos?
Tenente Silva – Eu não tinha documento nenhum. A primeira vez que eu tirei um documento foi em 1974 (tinha 18 anos). Uma senhora me ofereceu para me ajudar, porque eu sabia que o meu nome era só José. Eu disse que o nome do meu pai era Antônio Gonçalves. Ela disse que ia colocar José Gonçalves da Silva.

OP – E de onde vem o Silva?
Tenente Silva – Silva é um nome fictício que botaram. Porque o nome da minha mãe era Maria Rita da Conceição.

OP – O senhor disse que foi engraxate do Patativa do Assaré e do Luiz Gonzaga. Como foi o primeiro contato com eles?
Tenente Silva – Eu perguntei para o Luiz Gonzaga se ele queria engraxar os sapatos. Aí o Patativa chegou. Eles eram muito amigos.“Esse menino sabe engraxar, seu Luiz?”, perguntou o Patativa. “Vamos testar se ele sabe”, foi a resposta. Eles gostaram tanto que toda vida que eles iam ao Crato, eu engraxava os sapatos deles.

OP – O senhor poderia ter enveredado por um caminho totalmente diferente. O que motivou o senhor a seguir esse caminho?
Tenente Silva – Deus me disse, em oração, que o cidadão tinha que construir a própria vida, com a ajuda de Deus.

OP – O senhor fala sempre do preconceito. O senhor viveu alguma situação onde esse preconceito ficou mais evidente?
Tenente Silva – Uma vez, quando eu trabalhava no hotel, no Crato, eu saí do emprego para trabalhar numa empresa de táxi. Na semana seguinte, assaltaram o hotel e a primeira pessoa acusada: eu, que tinha acabado de sair. Mas não fui eu que roubei. Fui preso, apanhei na delegacia. Eu pedi muito a Deus que aparecesse quem roubou, e Ele me atendeu. Aí o ladrão apareceu, confessou, mas aí eu já tinha apanhado, não tinha como tirar a peia. Depois a mulher que foi roubada foi me pedir desculpas. Ainda hoje ela chora quando me vê, de arrependimento. Tudo isso eu acho que é a cor. Não tiro da minha cabeça, ainda hoje.

OP – E quando o senhor veio para Fortaleza, veio desamparado?
Tenente Silva – Não, eu já vim empregado. Recebi o convite para trabalhar na empresa de ônibus Timbira. Um conhecido tinha um concunhado na empresa de ônibus e queria me levar para lá. Mas eu disse que não sabia ler nem escrever. Ele disse que me ajudava. Eu tinha 22 anos. Comprou a passagem de ônibus, me apresentou ao dono, doutor Manuelito Azevedo, que hoje está em um bom lugar. Ele me acolheu e eu passei a dormir no alojamento. Tinha muitos trabalhadores do Interior. Ele me indicou no colégio onde eu ia estudar, fiz a quarta e a quinta série nesse colégio, o Deocléssio Ferro, no Parque Araxá. Eu não pagava, porque a dona da escola sabia da minha situação e não cobrava nada. Passei dois anos trabalhando como cobrador. Foi ali que eu aprendi a ler e a escrever, a fazer conta. Aí surgiu o concurso da PM, em 1979, que exigia só a quinta série. Eu fiz e, graças a Deus, passei. E fui fazer o curso. Passei seis meses morando aqui nesse local onde estou conversando com você (Colégio da Polícia Militar). Aqui antigamente era o quartel. Depois fui selecionado para a academia militar, em 1980.

OP - Já conhecia sua ex-mulher nessa época?
Tenente Silva – Não, ainda não. A gente se conheceu quando ela estava passando em frente à minha casa, para o colégio, lá no (bairro) Antônio Bezerra. O nome dela é Graça. Chamei ela para conversar logo comigo e não deu duas horas e a gente já estava namorando. Não deu três meses e a gente já estava casando. A gente casou com ela grávida. Eu estava apressado porque queria construir uma família. Encomendei logo uma criança.

OP – O senhor chegou a reencontrar seus parentes?
Tenente Silva – Logo em seguida ao casamento, resolvi voltar ao Crato. Foi um momento muito emocionante. Encontrei primeiro o meu irmão mais velho. Fiz o retorno, a pé pelo mesmo caminho de mais de 40 anos atrás, só que agora fardado. Eles se admiraram, ficaram felizes. Disseram: “José, você estava perdido?”. E eu: “Era, mas agora eu me achei”. A comunidade do distrito soube que eu estava lá e foi todo mundo me visitar. Foi importante fazer o mesmo caminho, porque eu fui passando e as pessoas foram me reconhecendo. “Tu é o Zé de Pioí (nome que chamavam o pai do Tenente)”.

OP – O senhor se considera um vencedor?
Tenente Silva – Não, ainda não. Falta Deus, pra dar a minha vitória, porque a vitória quem vai dar é Ele. Não posso dizer a você que sou um vencedor. Ainda estou vencendo. Estou aqui porque ele me levantou da queda que levei. Porque a queda foi grande, pra eu me levantar, foi difícil. Poderá, a qualquer hora, eu cair novamente. Não quero nunca que crianças que vivem no mundo por aí passe pelo o que eu passei. O exemplo de vida que eu tenho para dar. Acho que pouquíssimas pessoas tiveram o que eu recebi de mal, para dar de bem as pessoas. Porque, perdi os pais aos 7 anos de idade e hoje sou essa pessoa que você está vendo aqui (se emociona). Era como se meu pai tivesse morrido, porque eu não tive mais o seu convívio. Muitos fariam mal se tivessem passado pelo o que eu passei.

OP – Mas como o senhor veio parar aqui no Colégio da Polícia Militar?
Tenente Silva – Eu saí Oficial da Polícia, em 2004, aí o comandante geral, que já me conhecia, me indicou para trabalhar no Colégio da Polícia Militar. Eu fui trabalhar coordenando a merenda escolar, por dois anos. Eu gostei muito e me surpreendi com essa facilidade que eu tive em lidar com criança. Hoje sou coordenador disciplinar do Ensino Fundamental I. Eu conheço cada um desses meninos aqui (aponta para o quadro, na parede, com fotos dos alunos) e com certeza eles me conhecem e gostam de mim. Que continuem obedecendo as mães e os pais. Porque mesmo eu não obedecendo, porque não tive, obedeci as pessoas que me ajudaram.

OP – O senhor guarda alguma mágoa de alguém?
Tenente Silva – Guardo não. Porque a mágoa é uma doença. Você acaba tratando as pessoas como elas não merecem. Só guardo alegria. Porque as dificuldades me fortaleceram. Porque a dor só me ensinou a dar valor as coisas boas. Cada uma das pessoas que eu encontrei que me fizeram mal, eu rezo por elas.

OP – Por que o senhor resolveu fazer faculdade de História?
Tenente Silva – Porque minha vida sempre foi uma história (risos). E aqui, trabalhando com criança, eu vi que poderia somar na formação dela. Eu disse: “Rapaz, eu vou estudar também”. Fui fazer vestibular para história, passei. E vim estudar no próprio colégio onde eu trabalho (o tenente é formado em História, pela Universidade do Vale do Acaraú (UVA), que ministra aulas no Colégio da Polícia Militar). Passei de professor a aluno.

OP – O que levou o senhor, menino criado solto, na rua, a fazer o concurso para a PM, uma instituição com tanta disciplina, com regras rígidas?
Tenente Silva – Eu acho que é um dom entrar para a Polícia. Eu escolhi pelo meu passado. Resolvi dar a minha contribuição como cidadão.

OP – O senhor pensa em lecionar?
Tenente Silva – Pretendo sim, mas no momento, estou construindo a vida militar.

OP – O que falta ainda o senhor conseguir?
Tenente Silva – Eu não duvido dos milagres que Deus ainda pode fazer na minha vida.

Angélica Feitosa
angelica@opovo.com.br

Edimar Soares
edimarsoares@opovo.com.br

A entrevista aconteceu numa manhã de terça-feira, na sala do Tenente Silva, no Colégio da Polícia Militar do Ceará, na avenida Mister Hull, no bairro Padre Andrade.

O tenente Silva é o coordenador disciplinar das turmas do ensino fundamental I (1º ao 5º ano).Durante a entrevista, alguns alunos estavam no colégio e foram até a sala para cumprimentar o tenente.

O tenente Silva é coordenador de um time de futebol no bairro Antônio Bezerra. É o Grêmio Recreativo de Antônio Bezerra (Grab), que promove campeonatos e tem seus “rachas” às quartas-feiras.

O tenente Silva tem três filhas: Gracilene, 29, Gracilane, 26 e Graciliane, 23. E quatro netas.

Na sala do tenente Silva, há uma réplica da placa de formatura do curso de História, da UVA. O oficial pretende entregá-la de presente ao homem que lhe arrumou o emprego como cobrador de ônibus. “Se ele não tivesse me arranjado esse emprego, eu hoje não seria militar”.

Durante a entrevista, o Tenente Silva se emocionou duas vezes. A primeira, quando contou como foi a primeira vez quando reencontrou seus irmãos. A segunda, quando relembra que perdeu o pai quando saiu de casa.

Todos os dias, o tenente Silva chega no Colégio da Polícia Militar do Ceará às 6h20min, se apresenta ao comandante, reúne os alunos na quadra da escola e, juntos, cantam o hino nacional. Em seguida, o tenente dá os avisos do colégio.
Angélica Feitosa angelica@opovo.com.br


sábado, 21 de janeiro de 2012

SEU DIREITO, PROFESSOR

Finalmente surge algo digno de registro em meio a este marasmo que se abate sobre o Brasil entre o Natal e o Carnaval, principalmente no setor educacional, onde, a não ser alguma mudança estratégica de ministro (como está a acontecer), pouco se diz, se pensa ou se executa, pois está todo mundo virado para a folia que sempre tarda em chegar. São aproximadamente três meses em que o país estagna, cansado à beira do caminho.

Mas esta notícia poderá interessar bastante aos meus amigos, camaradas, companheiros e irmãos de luta. Ela foi veiculada aqui:

Projeto de Lei isenta professor do pagamento de imposto de renda. 

Veja um excerto do texto:

"Está em análise na Câmara o Projeto de Lei 2607/11, do deputado Felipe Bornier (PSD-RJ), que concede isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física sobre a remuneração de professores. Pela proposta, para ser beneficiado, o profissional precisa estar em efetivo exercício na rede pública de educação infantil, fundamental, média e superior. O autor do projeto entende que cabe ao poder público criar mecanismos que incentivem o maior número possível de pessoas a exercer o magistério".

 (...)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

PRATICANDO RACIOCÍNIO LÓGICO

Três mineiros e três paulistas estavam viajando de trem para um congresso.
Na estação, os três paulistas compraram um bilhete cada um, mas viram
que os três mineiros compraram UM SÓ bilhete.

Como é que os três vão viajar só com um bilhete? - perguntou um dos paulistas.
Espere e verá. - respondeu um dos mineiros.

Então, todos embarcaram.
Os paulistas foram para suas poltronas mas os três mineiros se
trancaram juntos no banheiro.

Logo que o trem partiu, o fiscal veio recolher os bilhetes.
Ele bateu na porta do banheiro e disse:
O bilhete, por favor.
A porta abriu só uma frestinha e apenas uma mão entregou o bilhete.
O fiscal pegou o bilhete e foi embora.
Os paulistas viram e acharam a idéia genial.
Então, depois do congresso, os paulistas resolveram imitar os mineiros
na de volta e, assim, economizar um dinheirinho (reconhecendo a
inteligência superior dos mineiros).

Quando chegaram na estação, compraram só um bilhete. Para espanto
deles, os mineiros não compraram NENHUM.
Mas, como é que vocês vão viajar sem passagem? - um paulista perguntou perplexo.
- Espere e verá. - respondeu um dos mineiros.

Todos embarcaram e os paulistas se espremeram dentro de um banheiro e
os mineiros em outro banheiro ao lado. O trem partiu. Logo depois, um
dos mineiros saiu, foi até a porta do banheiro dos paulistas, bateu e
disse:
- A passagem, por favor...
                                                 (adivinhe o resto)


Moral da história: mais uma vez fica provado que mineiro é quem
entende de trem...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

INDOLÊNCIA

Eu ia reclamar, mas resolvi ponderar: Afinal o Brasil continua em frente, com passos firmes, mas em ritmo lento! Todo ano é assim, entre Natal e Carnaval é uma letargia só! Tudo vai... mas como vai? 

Queria saber quem idealizou esta situação, na qual só depois do carnaval a nação parece acordar para a realidade vivenciada. Hoje somos a sexta potência do mundo. Imaginem o que seríamos se o brasileiro fosse amigo de cumprir horários, se tivesse horror a emprensados e a festejar até o dia do cachoro vira latas do vizinho mais abestado da região (pelo cachorro, não pelo vizinho)!

Mas, também, com um congresso que tira 60 dias de férias, esperar o quê? Tudo para, as grandes decisões ficam adiadas e quem sofrer com as possíveis consequências que se dane, sem reclamar e pagando seus impostos para garantir essas mordomias.

Bem, enquanto os congressistas repousam das fadigas, eu aproveito e vou ali me cortar os pulsos... depois do carnaval pensarei seriamente em fazer alguma coisa! Quanta indolência!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

SBPC - INSCRIÇÕES ABERTAS

Aproveitar para desejar um ótimo ano de realizações sem fim para tod@s.

Até que enfim, a área da educação dá seu ar de graça. Estava começando a pensar que este ano não ia postar algo de útil para os meu leitores que a esta hora devem ter me abandonado.

Mas consolem-se, pois trago boas novas:

Estão abertas as inscrições para SBPC 64 em S. Luis/MA.

O endereço do site para maiores informações está aqui: http://www.sbpcnet.org.br/saoluis/home/

Inscreva-se!

domingo, 8 de janeiro de 2012

PECando NA EDUCAÇÃO

Tramita na Câmara dos Deputados uma Proposta de Emenda Constitucional (reconhecível pelo númer de ordem 82/2011), que se for aprovada vai botar mais água na fervura da saúde financeira e principalmente moral dos nossos já sofridos professores. Essa PEC é de autoria do Dep. pelo PSC-PR, Edmar Arruda e nada mais propõe que a instituição de mais um paliativo no que diz respeito ao salário dos professores. Essa nova medida paliativa surgirá se a tentativa de implantar a meritocracia na educação der certo.
Implantar um sistema que beneficie "os melhores" professores é criar mais um esquema de fraude, que passará seguramente pelo apadrinhamento, pelo nepotismo, pelas falsas avaliações e todo um arcaboiço de artimanhas que o povo sabe criar para ludibriar as boas práticas, os bons métodos de ensino e, principalmente, os órgão encarregados de efetuar o poagamento. Continuaremos a cada vez nos arraigarmos mais ao modelo "finge que aprendes que eu finjo que te ensino, para eu me dar bem".

Chega a ser louvável a ideia de alguém se preocupar com a educação, mas esse sentimento se desmancha no ar quando se percebe que não há, verdadeiramente, a intenção de fazer o correto por ela. Coloca-se uma proposta, assim sem refletir no que pode vir a acontecer e pronto, já temos material para apresentar no novo período eleitoral, pois "mostrar serviço" na educação rende bons votos. E o "Zé Povinho" vai na onda e lá teremos nós outra vez a criatura a chupar nas tetas fartas da nação por mais uma legislatura.
Não tenho feito outra coisa que não seja perguntar-me e perguntar-nos, até quando esta enganação educacional vai durar? Alguém tem uma resposta?

ANSIEDADE

O ano de 2012 mal começou e já nos traz uma dose bastante alta de ansiedade e perspectivas mil sobre a indicação do novo Ministro da Educação, pois, como se sabe e ficou acertado desde dezembro de 2011, Fernando Haddad vai afastar-se do ministério para concorrer a cargo eletivo, no caso, perfeito de São Paulo.

A ansiedade fica mais, no meu caso, pelo fato de saber que no dia 20 de dezembro pp se comemorou (??) o meio século da criação da LDBEM (4024/61) e que, apesar da idade, a nossa educação não atingiu ainda o estágio "adulto" de comportamento.

As perspectivas ficam por conta de se querer saber se o novo ministro vai ter força política e vontade (pessoal e política) de fazer aprovar o novo PNE que o atual deixou cozinhar em "banho maria". Por outro lado, fica-nos a inquietação quanto à ambiguidade das decisões tomadas sobre o futuro da educação: "A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou um informativo ressaltando o direito de todos os seres humanos à educação. De acordo com a resolução, apoiada pela UNESCO, os governos devem assegurar à população o acesso à educação" (1). Quem lê a notícia de forma menos avisada vai imaginar que as entidades estão muito preocupadas com a educação. Não estão! Elas propõem, apenas o acesso à educação, mas a questão a ser analisada é: e quem vai garantir a permanência das crianças na escola e a qualidade do ensino ministrado?

Quem quer que seja o escolhido para assumir a pasta deverá pensar muito seriamente, antes de assumir, em fazer de 2012 o ano da arrancada para o futuro da Educação no Brasil... ou de nada nos valerá ter sido alçados à categoria de 6ª economia do mundo, malgrado continuemos a ser tratados como país emergente o que, por si, já representa uma tremenda contradição.

(1) Daqui: ipae - Retrospectiva da educação 2011. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

TEORIA DA EXISTÊNCIA

Assim se explica, revolucionariamente, a existência do homem.


No primeiro dia, Deus criou a vaca.


Deus disse:
'Tens que ir para o campo com o agricultor durante todo o dia e sofrer debaixo do sol, e dar leite para sustentar o agricultor. Eu dar-te-ei uma vida de 60 anos.'

A vaca disse:
É uma vida dura que tu queres que eu viva durante 60 anos. Dá-me somente 20 e eu devolvo-te os outros 40'.
E Deus concordou.

No segundo dia, Deus criou o cão. E disse:

'Senta-te todo o dia perto da porta da tua casa e ladra para qualquer pessoa que entre ou que passe por perto. Eu dar-te-ei 20 anos de vida.'

O cão disse:
'Isso é muito tempo para estar a ladrar. Dá-me somente 10 e eu devolvo-te os outros 10'.
Deus concordou.

No terceiro dia, Deus criou o macaco.

E disse:
'Distrai as pessoas, faz truques de macaco e fá-los rir muito. Eu dar-te-ei 20 anos de vida
O macaco disse:
'Que cansativo, truques de macaco durante 20 anos!? Acho que não. O cão devolveu-te 10 anos e é o que eu vou fazer também, ok?
'Deus concordou.

No quarto dia, Deus criou o Homem.


Deus disse:
'Come, dorme, brinca, faz sexo, diverte-te. Não faças nada, simplesmente diverte-te. Eu dar-te-ei 20 anos de vida'.
O Homem disse:
'O quê!? Só 20 anos? Nem pensar! Vamos fazer o seguinte: eu fico com os 40 anos que a vaca devolveu, com os 10 do cão e os 10 do macaco. Isso faz 80.
Pode ser?'.
'Ok', disse Deus. 'Negócio fechado.'
Por isso que durante os primeiros 20 anos comemos, dormimos, brincamos, praticamos sexo, divertimo-nos e não fazemos nada.
Os 40 anos seguintes, sofremos ao sol para sustentar a nossa família, os 10 seguintes fazemos figura de macaco para entreter os nossos netos, e os últimos 10 anos sentamo-nos na varanda e ladramos a toda a gente.

Está explicada a vida!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

AOS MEUS VELHOS AMIGOS NOVOS

Quem é da minha geração, quem é mais novo e quem mais velho: vamos rir e torcer para que todos cheguemos neste estágio sãos e com muita alegria!  




Trem bão é ser véio

Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha amada família por menos cabelo branco ou uma barriga mais lisa.  
Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo.  Eu me tornei meu próprio amigo... 
Eu não me censuro por comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de algo bobo que eu não precisava, como uma escultura de cimento, mas que parece tão “avant garde” no canto do meu jardim.  
Eu já ganhei esse direito de ser desarrumado, de ser extravagante, de ser livre...
  


Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grandeza da liberdade que nos chega com o envelhecimento.


Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar no computador até às quatro horas da manhã e dormir até meio-dia? Quem pode me criticar se eu dançar ao som daqueles sucessos maravilhosos dos anos 60 & 70, e se eu, ao mesmo tempo, sinto desejo de chorar por um amor perdido que só eu conheci...  Eu vou! Vou andar na praia ou caminhar na pracinha com um short excessivamente esticado sobre um corpo decadente e mergulhar nas ondas com abandono, se eu quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros, lá no "jet set".


Eles, também, vão envelhecer. Eu sei que eu sou, às vezes, esquecido. Mas há mais... algumas coisas, na vida, devem mesmo ser esquecidas. Eu só me recordo bem das coisas importantes.



Claro, ao longo dos anos meu coração foi quebrado.  Como não quebrar seu coração quando você perde um ente querido, ou quando uma criança sofre, ou mesmo quando algum amado animal de estimação é atropelado por um carro? Mas corações partidos são os que nos dão força, compreensão e compaixão. Um coração que nunca sofreu é imaculado, estéril e nunca conhecerá a alegria de ser imperfeito.



Eu sou tão abençoado por ter vivido o suficiente para ter meus cabelos grisalhos, e ter os risos da juventude gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes de seus cabelos virarem prata. Conforme você envelhece fica muito mais fácil ser positivo. Você se preocupa menos com o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.

Eu ganhei o direito de estar errado.



Assim, para responder sua pergunta... Sim, eu gosto de ser velho. A velhice me libertou. Eu gosto da pessoa que me tornei. Eu não vou viver para sempre, mas enquanto eu ainda estou aqui, eu não vou perder tempo lamentando o que eu poderia ter sido, ou me preocupar com o que poderia ter feito. E eu vou comer sobremesa todos os dias (se me apetecer).


Que esta minha franqueza não interfira na nossa amizade e que a gente nunca se separe, porque o que aqui deixo dito vem direto do coração!

domingo, 1 de janeiro de 2012

TENTE

Como em toda a estória que se preza...


... Eram uma vez dois meninos que patinavam sobre uma lagoa gelada. Era uma tarde nublada e fria, mas os meninos brincavam sem preocupação. De repente o gelo se quebrou e um dos meninos caiu na água gelada e ficou preso sob o gelo. O outro menino, vendo que seu amigo se afogava sob o gelo, pegou uma pedra e começou a bater na superfície gelada da lagoa com todas as suas forças até que conseguiu quebrar o gelo e agarrar seu amigo, salvando-o de morrer afogado.

Quando chegaram os bombeiros e viram o que havia acontecido se perguntaram como o menino tinha feito, pois o gelo era muito grosso.

– É impossível que o tenha podido quebrar com esta pedra e as suas mãos tão pequenas, afirmavam. Nesse momento apareceu um velhinho que disse:
- Eu sei como ele fez isso!
– E como foi, perguntou alguém.
– Não tinha ninguém à sua volta para dizer-lhe que era impossível!


(Desconheço o autor)

Impossível é...
... tudo aquilo que não se tenta,
... tudo aquilo que não ousamos,
... tudo aquilo que não queremos verdadeiramente,
... tudo aquilo que nãofazemos esforço para ter/fazer/ser.

Impossível... Não permita que lhe digam que é impossível. Tente! Neste ano que agora se inicia adote essa decisão: tente!

ACOLHIDA

Devolvi-lhe os bons momentos, as agruras, máscaras e as fantasias que tive que usar para não atravessar seu samba. Ele nem me olha e num segundo, parte. De um momento para o outro, ele deixou de ser meu e eu deixei de ser dele. Adeus ano velho!
FELIZ NESTE 2012!
 

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