quinta-feira, 7 de julho de 2011

ENSINO PROFISSIONALIZANTE, SIM...

... mas para quem e em quais condições?

Esta primeira questão, que talvez devesse fazer parte do título, serve de intróito para a discussão que desejo fazer neste dia de hoje e que talvez venha a gerar algum tipo de polêmica. Bem, polêmica sempre é boa, desde que respeitadas as opiniões adversas, mesmo se discordamos delas. E a chamada Educação profissionalizante está longe de fazer uma unanimidade.

O projeto apresentado pelo então Presidente Lula da Silva surge no universo educacional quase como um "redentor do sistema educacional" no país.  Como dizem os franceses... "é preciso que seja dito"! Com a força aprovação de seu governo, o Presidente Lula não teve dificuldades de fazer aprovar todos os investimentos que julgou necessários para o desenvolvimento desse modelo de educação. O Ministro, Fernando Haddad, também não se fez de rogado e pegou carona "na cauda do comenta" que subia... subia. Mas, sempre existe um mas... Será que alguém já se questionou a quem vai ser ofertada essa educação e, principalmente, em quais condições ela vai ser oferecida?

Devo registrar que não sou absolutamente contra esse modelo de educação, pelo contrário, sempre questionei se um país pode viver só com doutores, sem ter quem "meta a mão na massa"! Mas é preciso entender como esse alguém vai ser preparado. Se for instruído a apenas obedecer, a só dizer sim senhor, a transformar-se numa verdadeira "bucha de canhão",  melhor não! Defendo que o trabalhador seja instruído e educado de tal forma que possa usar seu espírito crítico desenvolvido em favor da classe e seu próprio. O trabalhador deverá, no meu modo de ver, ter acesso àquilo que Gramsci chamou de educação para a politecnia.

Caso essa "nova escola profissionalizante" não pretenda atender a esse conceito, estaremos, mais uma vez, fazendo a vontade do capital que está sedento de mais mão-de-obra qualificada, barata, obediente e resignada, como já aconteceu quando nos anos 60 se criou o sistema "S". Parece-me que estamos apenas expandindo esse "modelito".

Volto a dizer, tenho cá as minhas questões e, dentre elas, algumas que não querem calar por mais que me esforce. 

De que vai valer uma qualificação profissional, se não houver emprego de imediato para essa mão-de-obra formada?
Essa benesse não vai acarretar prejuízo maior para regiões menos industrializadas (pela migração) e ao mesmo tempo inflacionar os índices de desemprego das regiões onde a indústria existe, mas não terá capacidade instalada para absorver todos esse trabalhadores?
Questões salariais... será que alguém já pensou em como vai reagir o "todo poderoso mercado"?

É... acredito que continuamos a andar rumo ao futuro, mas virados de costas, isto é, olhando para o passado.

O que terá o sr. Ministro a nos dizer?


Educação profissional: Haddad diz que expansão da rede é estratégico

7/7/2011 13:42,  Redação, com MEC - de Brasília
O ministro da Educação, Fernando Haddad
disse que o ensino médio exige cuidados em todo país. 

O ministro da Educação, Fernando Haddad, considera a expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica um dos projetos estratégicos mais importantes na área do ensino no país. Na manhã desta quinta-feira, Haddad visitou as obras de mais uma etapa da expansão, a do campus Brasília do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília.

Ele foi acompanhado pelo secretário de educação profissional e tecnológica do MEC, Eliezer Pacheco, e pelo reitor do instituto, Wilson Conciani.

– O ensino médio exige cuidados em todo país, e o papel dos institutos federais é justamente capitalizar um processo de qualificação do ensino médio –, disse o ministro.
– Nós já temos o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio], os institutos federais, o programa Brasil Profissionalizado, várias iniciativas para dar ao ensino médio público condições para que aconteça o mesmo que aconteceu com o ensino fundamental: que ele reaja do ponto de vista de qualidade.

A nova unidade do instituto brasiliense, na quadra 610 Norte (Plano Piloto), tem cerca de 80% do projeto concluído e previsão de entrega para este ano. No início de 2012, de acordo com as expectativas, serão atendidos 1,2 mil estudantes, em três turnos. Quando estiver em pleno funcionamento, o campus oferecerá formação técnica e tecnológica a mais de 3,2 mil pessoas.

A unidade de ensino terá opções de cursos nas áreas de informação e comunicação, hospitalidade e lazer, gestão e negócios e produção cultural. Nela serão ministrados cursos técnicos (informática, telecomunicações, eventos, guia de turismo, serviços públicos e dança, entre outros), superiores de tecnologia (desenvolvimento de sistemas e gestão publica) e de licenciatura (educação profissional e matemática). Também oferecerá cursos de pós-graduação e de formação continuada a trabalhadores.
A próxima fase da política de expansão prevê a implantação de 120 unidades dos institutos federais, com prioridade para as microrregiões e cidades com mais de 50 mil habitantes. A rede federal reúne 38 instituições de ensino técnico-profissionalizante e está presente em todas as mesorregiões definidas pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE). A meta do MEC é contar, em 2014, com mais de 550 unidades.

FONTE

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