quarta-feira, 31 de março de 2010

SÓ FALTA CUMPRIR.

Bem, se é lei, eu quero ver cumprir!
Próximo semestre vou brigar para reduzir 33% das minhas turmas que atualmente chegam a 45 e até mais alunos.


Conae - Conferência aprova eleição para diretor de escola e máximo de alunos por turma

Agência Brasil

Brasília - Terminou hoje (31) a primeira rodada de debates sobre as propostas que estão em discussão durante a Conferência Nacional de Educação (Conae). Parte já foi aprovada, como a eleição direta para diretores nas escolas públicas e um número máximo de alunos por turma para cada etapa do ensino.

As propostas que já foram aprovadas hoje (31), em tese, seguem direito para o documento final da Conae, desde que nenhum delegado faça algum tipo de questionamento amanhã (1°), durante a plenária final. Mas a tendência é que elas sejam mantidas, porque já foram aprovados por mais de 50% dos participantes das plenárias dos eixos.

No eixo sobre a valorização profissional, ficou aprovado que o número máximo de alunos por turmas seja de 15 na pré-escola, 20 no ensino fundamental, 25 no ensino médio e 30 no ensino superior.

Os delegados também votaram a favor de uma proposta para criar o “ano sabático” para os professores da rede pública: a cada sete anos trabalhados, o profissional poderia tirar licença por um ano para estudar, mantendo a remuneração. Outra determinação é para que o piso nacional dos professores, estabelecido por lei em 2008, seja reajustado anualmente pelo Índice do Custo de Vida (ICV) do Dieese.

Como ocorre em toda a conferência, as propostas aprovadas não tem força de lei, mas servem como um indicativo para as políticas públicas. No caso da Conae, elas serão diretrizes para a elaboração do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que vai orientar as políticas do setor para os próximos dez anos. O PNE precisa ser aprovado este ano pelo Congresso Nacional para vigorar a partir de 2011.

“A conferência é uma discussão da sociedade , mas não é executiva, nem normativa. O que a sociedade civil vai fazer é cobrar para ver se essas diretrizes serão aplicadas, por exemplo, no PNE”, explica o coordenador-geral da Conae, Francisco das Chagas.

Algumas propostas polêmicas, que não foram aprovadas pela maioria na discussão de cada um dos eixos, serão decididas amanhã na plenária final. Entre eles, estão a questão das cotas nas universidades públicas e a extinção do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), cujo objetivo é avaliar as competências e habilidades básicas de jovens e adultos que não tiveram acesso ao ensino regular na idade adequada para garantir a eles o direito a um diploma.

AINDA SOBRE O "SUS" DA EDUCAÇÃO

Pelas declarações que tenho lido só posso retirar, novamente, a seguinte conclusão:

Falta PEITO, RAÇA, DETERMINAÇÃO e VONTADE para fazer da educação no Brasil um projeto de futuro, capaz de elevar o nível de ensino-aprendizagem aos patamares que merecemos. Comparar aquilo que estão querendo chamar de Sistema Nacional de Educação com alguma coisa mais palpável é querer tapar o sol com uma peneira, é usar apenas de paliativos que logo mais não vão apresentar outros resultados que a falência do próprio sistema.

Tenho dito e o caminho nos dirá da direção que ele tomará!

segunda-feira, 29 de março de 2010

COMPROVADO: A EDUCAÇÃO ESTÁ MESMO MAL!

29/3/2010 12:03:35
Especialistas defendem "SUS da educação"
Por Redação, com ABr - de Brasília
Este título de artigo é atestado mais que suficiente para que compreendamos a situação agonizante em que se encontra a nossa educação. No entanto, o mais alarmante é que após esta comprovação não se tomam medidas efetivas para combater a doença, pois, todos nós sabemos, que colocar a educação no SUS é o mesmo que condená-la a uma morte mais rápida que aquela a que parece estar, infelizmente, destinada. A nossa educação deveria ser enviada para uma UTI de última geração e não para o SUS.
A IV Conferência que está a acontecer neste momento em Brasília deveria funcionar como uma comissão médica capaz de avaliar os estragos que anos sem fim de maus tratos têm provocado na "paciente", mas não, vão discutir o sexo dos anjos, e por fim acabam por dar uma "aspirina" para a paciente e seja lá o que Deus quiser! De uma coisa muitos de nós já sabemos: enquanto não aparecer um presidente com "aquilo mais roxo" que o que dizia o CoLLor e assumir a educação como Programa de Estado, a moribunda vai sempre passar por "tratamentos paliativos" que só servem para prolongar a já longa e triste agonia. Como se diz lá no meu país (mas onde também não se faz nada pela educação) "É preciso ter pêlo nas ventas" para tomar uma atitude dessas.

A professora Regina Vinhais que fez tal proposição não foi muito feliz, parece que esse povo tem medo de enfrentar a dureza das palavras necessárias para fazer frente a situações de risco. Felizmente, Dermeval Saviani botou o dedo na ferida. Mas nós todos sabemos como isso vai acabar: Saviani vai ser voto vencido, pois os interesses não declarados daqueles que ainda mamam nas tetas da educação vão abafar-lhe a voz. E a educação continuará a ser um rentável negócio no Brasil.

domingo, 28 de março de 2010

PENSAMENTO DO DIA!

"O professor só conseguirá fazer com que o aluno aprenda se ele próprio continuar a aprender. A aprendizagem do aluno é, indiscutivelmente, diretamente proporcional à capacidade de aprendizado dos professores. Essa mudança de paradigma faz com que o professor não seja o repassador de conhecimento, mas orientador, aquele que zela pelo desenvolvimento das habilidades de seus alunos. "
(Gabriel Chalita)

quarta-feira, 24 de março de 2010

A ESPERAR TAMBÉM ESTAMOS NÓS EDUCADORES!

24/03/2010 - Agência Câmara
Ministro espera aprovação de um novo Plano Nacional de Educação
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou na Comissão de Educação e Cultura que está otimista em relação à aprovação, pelo Congresso, de um novo Plano Nacional de Educação

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou na Comissão de Educação e Cultura que está otimista em relação à aprovação, pelo Congresso, de um novo Plano Nacional de Educação. As diretrizes para o plano, segundo Haddad, serão colhidas na Conferência Nacional de Educação, que começa neste domingo (28) em Brasília. O ministro avaliou que o plano terá como novidades o estabelecimento de metas qualitativas e de provisão de recursos para sua execução, além das metas quantitativas.

“Os candidatos a cargos eletivos vão empunhar a bandeira da educação. O projeto de lei tramitará justamente nesse período [de eleições]. É um momento muito importante para a educação, e a sociedade está cada vez mais organizada em prol do setor”, disse o ministro.

Para Haddad, é possível melhorar ainda mais os indicadores de educação a partir de ações do Parlamento. Ele lembrou, como exemplos recentes, a aprovação de medidas como o piso nacional do magistério, o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e a obrigatoriedade da matrícula dos 4 aos 17 anos (antes, era dos 7 aos 14). “Nenhuma dessas emendas teve voto contrário.”

O ministro também ressaltou a importância dos investimentos em educação, que foram ampliados nos últimos anos com apoio do Legislativo. O orçamento total do MEC triplicou nos últimos oito anos, passando de R$ 19,1 bilhões em 2003 para R$ 59,1 bilhões em 2010.

“O Brasil já cresceu 8% ao ano, já cresceu 10% ao ano, mas sem investimento em informação. Investimento em infraestrutura não é sustentável no tempo se não for agregado o conhecimento. Nós queremos crescer 6% com desenvolvimento humano, o que melhora todos os outros indicadores sociais”, disse.

A reunião da Comissão de Educação e Cultura está sendo realizada no plenário 10.

ENQUANTO ISSO... NO REINO DO PIG

A difícil arte de convencer e o temor de assumir posições

Não é de hoje que se registra uma imensa dificuldade para que as pessoas consigam convencer, pela palavra, outros sujeitos(?) da história. Lembro-me bem dos tempos e das oportunidades em que, nas minhas aulas, informo aos alunos que na Grécia antiga havia cursos de oratória e de retórica, sendo estes últimos destinados a ensinar a “arte do convencimento” através das palavras. Nos dias de hoje, é possível perceber que apenas alguns “agentes” de missões especiais junto a populações menos esclarecidas e suficientemente alienadas conseguem obter êxito na arte de persuadir.

Quando acima coloco uma interrogação a seguir à palavra sujeito é porque não consigo perceber essas pessoas sem opinião ou de fácil convencimento, como tal. Mas, onde está a razão de toda esta lengalenga?

A história começa com a visitação a sites, blogs, notícias e demais tipos de elementos capazes de criar condições para que as pessoas tomem uma posição em relação a alguma opinião ali expressa, principalmente se essa tomada de posição implicar em algum tipo de escolha que se deva fazer no campo da política partidária. A maioria prefere ficar “em cima do muro”, algo como um “deixar ver como fica” para só depois "dizer como está" É a falta de poder de análise crítica tão própria daqueles que foram habituados a “comer e calar”, seja pela imposição de um regime castrador, seja por falta de conhecimento, ou, ainda, porque estão sujeitos ao cabresto colocado pelo obséquio recebido deste ou daquele político que também não encontra outra forma de convencimento ao voto que o favor praticado. Essa prática do “apadrinhamento”, muito mais que corrupta, é, também símbolo e causa de atraso no desenvolvimento de um país. Para que eu tenha a possibilidade de me perpetuar no poder é-me conveniente que não sejam criados postos de trabalho (aí está o atraso desenvolvimentista), para que eu possa presentear aos amigos e eleitores (que se tornarão fiéis) os poucos postos existentes e com isso garantir a possibilidade de me locupletar nas funções representativas da vontade do povo.

Mas esse é todo um ciclo vicioso que se instaura: para que o povo possa manter-se submisso é preciso que ele seja ignorante, logo, pouca educação; para manter a fidelidade desse mesmo povo, demos-lhe apena o mínimo dos mínimos para que possa sobreviver e assim tenha ele sempre a necessidade dos nossos “prestimosos serviços”; para mostra-lhes a nossa “brava e aguerrida atuação em prol do seu interesse” mantenhamos um sistema de informação capaz de convencê-los que a nossa atuação é a melhor de todas as que são apresentadas; criemos e mantenhamos a possibilidade de aumentar-lhe o nível de alienação através um sistema de lavagem cerebral que os mantenha permanentemente na ilusão de que dias melhores podem acontecer, bastando para tanto que participem de programas que ofereçam algum dinheiro, uma casa, um carro ou qualquer outra bugiganga que os faça pensar serem seres de sorte. Que tal um “BBB”? Ou um “domingo legal”? Por que não um “lata velha”, ou um “tudo por dinheiro”?

É... razão tinha Vespasiano, “pão e circo para o povo”. Pão pouco e muito (mas muito mesmo) circo! Pois, enquanto se divertem não pensam em outros problemas que os afligem e nós (políticos) temos mais um tempinho para irmos levando “mais algum” na meia ou na cueca! Para isso, é preciso fazer oração, pagar promessa (com o dinheiro que é, tanto dos mais, quanto dos menos alienados). Por que não acontece todos os meses um “caso Nardoni” para que o PIG (partido da imprensa golpista) faça um show de cobertura e esqueça de mostrar ao povo às quantas anda a situação de segurança, de moradia, de saúde, de educação, de trabalho, de alagamento, de greve de profissionais em busca de melhores condições de trabalho e salário e, por fim, para que no silêncio da distração, na calada da noite e no conforto de seus gabinetes os homens com “poder de decisão” possam engendrar mais algum plano que trará benefícios apenas para eles?

A educação teria um papel fundamental a desempenhar nesse projeto de mudança que se faz necessário desenvolver, principalmente a nível superior, mas as farpas e os arpões estão permanentemente apontados para as cabeças dos "comunistas" que ali militam. Sim, comunistas e retrógrados (aos olhos daqueles que desejam que se mantenha o status quo vigente) que não sabem fazer outra coisa que incutir ideias revolucionáreias nas cabecinhas ocas de seus "pobres" alunos. É quase uma guerra do bem (que são esses que pretendem perpetuar-se no poder) contra o mal, contra esse "inimigo potencial" que é o senso crítico. Marx (esse dinossauro!) está morto! Viva Adam Smith!

Enquanto isso... nós continuamos a “esperar para ver”; continuamos a delegar a terceiros a responsabilidade que nos é devida pela nossa condição de seres sociais e assumimos essa postura neutra face às mazelas que nos enfiam goela abaixo. É aí onde eu continuo a me questionar: até quando vamos postergar a atitude de assumirmos ABERTAMENTE uma posição?

sexta-feira, 19 de março de 2010

5.000 VAGAS DE PROF NAS FEDERAIS!

GABINETE DO MINISTRO
PORTARIA No- 124, DE 15 DE MARÇO DE 2010

O MINISTRO DE ESTADO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO, no uso de suas atribuições e, tendo em vista a delegação de competência prevista no art. 10 do Decreto nº 6.944, de 21 de agosto de 2009, resolve:
Art. 1º Autorizar a realização de concurso público e o provimento de quatro mil novecentos e noventa e dois cargos de Professor da Carreira de Magistério Superior, trezentos de Professor da Carreira de Educação Básica, Técnica e Tecnológica e quatro mil, cento e noventa e oito de Técnicos Administrativos em Educação, dos Quadros de Pessoal das Instituições Federais de Ensino Superior, vinculadas ao Ministério
da Educação, conforme discriminado no Anexo I.

Art. 2º Autorizar o provimento de cento e oito cargos de Professor da Carreira de Magistério Superior e quarenta e sete de Técnicos Administrativos em Educação, dos Quadros de Pessoal das Instituições Federais de Ensino Superior, do concurso público autorizado pela Portaria MP nº 347, de 10 de outubro de 2009, conforme discriminado no Anexo II.

Art. 3º O provimento dos cargos de que trata o art. 1º será escalonado na forma do Anexo I a esta Portaria, e o que se refere ao art. 2º será a partir de maio de 2010, estando ambos condicionados:
I - à existência de vagas na data de nomeação; e
II - à declaração do respectivo ordenador de despesa sobre a adequação orçamentária e financeira da nova despesa com a Lei Orçamentária Anual e sua compatibilidade com a Lei de Diretrizes Orçamentárias, demonstrando a origem dos recursos a serem utilizados.

Art. 4º Ato do Ministro de Estado da Educação fixará o quantitativo de vagas a serem destinadas para cada Instituição Federal de Educação Superior.
Parágrafo único. Após a edição do ato de que trata o caput, a responsabilidade pela realização do concurso público e pela verificação prévia das condições para a nomeação dos candidatos aprovados será do dirigente máximo da respectiva Instituição Federal Ensino Superior, a quem caberá baixar as respectivas normas, mediante a publicação de editais, portarias ou outros atos administrativos necessários, de acordo com as disposições contidas no Decreto nº 6.944, de 2009.

Art. 5º O prazo para publicação de edital de abertura do concurso público de que trata o art. 1º será de até seis meses, contado a partir da publicação do ato do Ministro de Estado da Educação que realizar a distribuição das vagas autorizadas entre cada Instituição.

Art. 6º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

PAULO BERNARDO SILVA

segunda-feira, 15 de março de 2010

O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO

"O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO"

Por José Antônio Oliveira de Resende (Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei)

Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
? Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
? Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando- nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha ? geralmente uma das filhas ? e dizia:
? Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
? Vamos marcar uma saída!... ? ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite....
Que saudade do compadre e da comadre!

sábado, 13 de março de 2010

PELA JANELA DO QUARTO

Estou viajando, ou melhor, procurando explicar, estou fora da minha cidade. A pousada é aconchegante e a noite de sono foi reparadora. Acordei cedo, pois quem cedo deita...
Não tinha ainda reparado que bem ao lado da pousada, posso ver pela janela do quarto, existe uma escola (?). Sei que esta interrogação pode causar alguma surpresa nos meus leitores, mas a verdade é que, também a mim me surpreendeu. Mas vamos lá a ver como fiquei sabendo da existência da escola (?)!
Enquanto preparava algum material para a aula de mais tarde (sim, também sou professor!), entrou pela minha janela aberta a gritaria que sinaliza a presença de crianças animadas e livres (?). Nova interrogação... pois o que vi me assustou! Verdadeiramente!
Nós, professores, sempre mostramos um pouco de idealismo quando o assunto é escola. Sonhamos uma escola ideal, com o aluno ideal, para o professor ideal! Mas não passamos do sonho idealista, pois nem somos os professores ideais, nem os alunos são os ideais e a escola... bem, é dessa que eu quero falar um pouco. Dela e daquilo que nela se faz.
No meu idealismo, a escola deveria ser um espaço amplo, agradável, iluminado e luminoso (com luz própria e cintilante), arejado e propiciador de brisas suaves de saberes mil, alegre e irradiando alegria, pulsante e em harmonia com a natureza mãe da sociedade. Um sonho, uma utopia!
Entretanto, o que vi não me agradou. Uma casa de sobrado, externamente mal conservada (não posso falar do interior, pois o desconheço), as poucas janelas só não estavam fechadas porque eram providas de grades, através das quais as crianças, que perceberam a minha presença e interesse, me saudavam ruidosamente passando seus bracinhos frágeis através dos espaços que a grades propiciavam. Que prisão era aquela, travestida de escola? Como seria possível a tais crianças desenvolver a criatividade e extravasarem toda a energia acumulada em seus corpos jovens? Será que a concentração dessas crianças não fica comprometida quando elas não têm como dar vazão a todo esse acúmulo de energias?
Hodiernamente, está suficientemente claro que ao brincar a criança aprende. Na situação que descrevo não resta espaço para tal atividade. Questiono-me sobre o tipo de ensino que ali é praticado: até que ponto aquelas crianças não estão sendo alvo de uma tirania da reclusão como sistema de ensino/inculcação? Até que ponto a falta de espaço para o desenvolvimento de atividades físicas não está gerando atrito entre as crianças na disputo dos poucos espaços livres?
Quero continuar a ser utópico, a ser um sonhador e, por mais que digam que aquela é a melhor escola da cidade, não teria coragem de encarcerar um filho meu, até mesmo, de ali trabalhar. Meus conceitos de educação e de escola passam bastante ao largo daqueles aplicados naquele “estabelecimento prisional” que observei pela janela do meu quarto.

quarta-feira, 10 de março de 2010

À LUTA POR UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

CNTE Informa 521
A questão da qualidade da educação básica, no Brasil, tem suscitado várias teses sobre o assunto, as quais são marcadas por profundas diferenças de forma e conteúdo que refletem a visão de Estado e Sociedade dos diferentes matizes ideológicos e das classes que compõem nossa sociedade. Para a CNTE, sem que haja uma intervenção sistêmica do Estado sobre as políticas educacionais estruturantes - a exemplo do financiamento, da gestão democrática, da avaliação institucional, da formação e da valorização profissional - e sem que se consolide uma estrutura democrática de Sistema Nacional Articulado de Educação (pautada nas decisões das CONAEs), dificilmente conseguiremos avançar rumo à qualidade com equidade.
Sobre o aspecto do financiamento, o novo Plano Nacional de Educação deve retomar a demanda do atual PNE, que expirará em dezembro próximo, e fixar percentual não inferior a 7% do PIB para investimento em educação. A proposta da sociedade é de aplicar, durante um determinado período, 10% do PIB em políticas educacionais, a fim de corrigir as desigualdades agudas. Hoje o investimento do PIB em educação não ultrapassa 4,5%.

Embora a Constituição Federal, em seu art. 206, inciso V, preveja a gestão democrática do ensino público, na forma da lei, a LDB (Lei 9.394/96) restringiu essa prática à participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e à participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. A participação dos profissionais e da comunidade escolar no projeto político da escola - através de eleição de diretores, por exemplo - não foi contemplada sob a argumentação de que, à luz da Constituição (art. 37, V, incluído pela E.C nº 19/98), a função de direção escolar constitui prerrogativa de indicação do chefe do Poder Executivo. Trata-se, no entanto, de uma visão conservadora e retrógrada frente aos princípios da educação, listados no art. 206 da Carta Magna, que precisa ser superada com urgência.

Os trabalhadores em educação consideram essencial a prática avaliativa para o processo de melhoria da qualidade da educação. Contudo, não concordam com a visão simplista de muitos governos, que tentam imputar todos os problemas da escola pública a seus profissionais. Ao desprezarem as condições de trabalho e as condições sociais dos estudantes, para ficar em duas variáveis apenas, os gestores se omitem em investir em uma avaliação de caráter coletivo e institucional, em contraposição à meritocracia individual, que não foque apenas a concessão de bônus contraproducentes tanto para a questão da qualidade social da educação quanto para a valorização profissional.

Também é preciso destacar, dentro da lógica das políticas sistêmicas, a necessidade de o Estado priorizar a formação dos profissionais da educação, em cursos de qualidade e voltados à realidade da escola básica. Um dos problemas, hoje, consiste em superar o caráter estanque da formação. É preciso efetuá-la ao longo da carreira dos profissionais. Para tanto, os governos precisam investir em escolas para professores e funcionários que priorizem conteúdos e práticas de ensino atualizadas. Um exemplo dessa carência está na precária incorporação da Lei 11.645 aos currículos escolares, a qual tornou obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.

Embora a formação inicial e continuada faça parte dos requisitos da valorização profissional, a carreira, a jornada de trabalho apropriada (com horas-atividades), as condições de trabalho e o salário condigno são elementos indissociáveis e intrínsecos à qualidade da educação. Neste sentido, a luta da CNTE pela implantação da Lei 11.738, na íntegra, não pode ser considerada apenas uma reivindicação corporativista. Ela associa a necessidade de valorização e reconhecimento social da profissão de educador à melhoria da qualidade da escola pública.

Neste sentido, a CNTE convoca, além de suas afiliadas, todos os segmentos da sociedade brasileira para fazer parte de nossa mobilização em defesa do PSPN. Dia 10 de março, várias atividades estão previstas em âmbito municipal e estadual, e, no dia 16 de março, realizaremos uma paralisação nacional em protesto ao não cumprimento da Lei 11.738. Neste mesmo dia, estão previstas audiências com o Ministro da Educação, com o presidente do Supremo Tribunal Federal e com o Procurador Geral da República, a fim de cobrar celeridade e compromisso para com a educação de qualidade no julgamento do mérito da Adin contra a Lei do Piso, movida pelos governadores do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná, de Mato Grosso do Sul e do Ceará, com o apoio de José Serra (SP), Aécio Neves (MG), José Roberto Arruda (DF), Marcelo Miranda (TO) e José Anchieta (RR).

quinta-feira, 4 de março de 2010

A PROPÓSITO DA ARTE DE ENSINAR

Sou levado a refletir sobre a condição de aprendentes dos alunos do curso de Pedagogia. Parto, para tanto, do pressuposto freiriano de que “ninguém ensina ninguém”.


Essa pressuposição implica na discussão sistemática da função da universidade na formação de professores de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental, outro pressuposto que, a meu avaliar, não está devidamente discutido, principalmente numa boa parte das instituições.


Utilizo como argumentação básica que não há como formar professores “por ofício”, isto é, o professor (aqui entendido como aquele que deve orientar o processo de aprendizagem do aluno) não pode e nem deve ser “formado” nos bancos de uma escola/universidade. Nessas instâncias, ditas formadoras, tudo que ele deve aprender é a utilizar os instrumentos – instrumentalizar-se – que lhe são facultados durante a duração do curso que realiza, pois é a partir destes instrumentos que ele terá a possibilidade de refletir a realidade circundante e vivenciada na qual deverá exercer as suas funções, de acordo com Brandão (educação? Educações?).


Esses instrumentos não são de uma única ordem: temos os filosóficos, sociológicos, antropológicos, psicológicos, legais, didáticos e práticos. Assim, “formar” o professor é capacitá-lo a exercer com bases sólidas a sua função, sem com isso haver a obrigatoriedade de “ensiná-lo” a ser professor. Usando uma expressão do senso comum, diria que a melhor escola do professor é a vida, a prática efetiva de seu fazer pedagógico.


Alguém pode argumentar, então, que não há maior necessidade de uma formação. Está pensando menos acertadamente! Quando se fala em formar o professor reflexivo quer significar-se exatamente que se espera fornecer a esse futuro profissional a possibilidade de melhor compreender os problemas educacionais que se lhe apresentam de uma forma suficientemente refletida e pesquisada.


Portanto, Freire estava correto e Brandão nos fornece as pistas que devem orientar essa formação. Se insistirmos em ensinar, faz-se necessário meditar antes nesta assertiva: "Sempre que ensinares, ensina a duvidarem do que estiveres ensinando". Por outro lado, se dirigirmos o nosso fazer no norte da orientação para a construção de saberes, teremos a oportunidade de continuarmos a nossa formação. Pessoalmente defendo a segunda opção... afinal ninguém ensina ninguém, assim como ninguém é dono do saber total – somos seres em permanente formação.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...