terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

ZÉ ALAGÂO E OS PROFESSORES!

PROCESSO DE ATRIBUIÇÃO DE AULAS NA REDE
 ESTADUAL DE ENSINO DE SÃO PAULO
Governo estadual desrespeita a LDB e suas próprias normas
O Governo do Estado de São Paulo instituiu, por meio da Lei Complementar nº 1093, de 2009, processo seletivo simplificado para a contratação de professores e demais servidores temporários para atuarem nas escolas e serviços públicos estaduais.
No caso da educação, foram aplicadas provas nos dias 13 e 20 de dezembro de 2009, na qual os professores que já pertenciam à rede de ensino e candidatos ao ingresso deveriam obter o acerto de 50% das questões para participarem do processo de atribuição de aulas para o ano letivo de 2010.
Após negociações entre a APEOESP e o Governo, ficou estabelecido, primeiro, que até 20% desta média mínima poderia ser composta com parte do tempo de serviço já cumprido na rede estadual e, segundo, que a prova perderia seu caráter eliminatório, ficando todos os professores qualificados para o processo de atribuição de aulas, embora em duas listas distintas. Nestas listas, a classificação soma pontos resultantes da nota obtida na prova, tempo de serviço e, quando o caso, títulos. 
Ocorre que, ao organizar as referidas listas de classificação, o Governo ignorou completamente a Lei 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB), mantendo à frente dos professores habilitados candidatos que não possuem a qualificação necessária; a saber: bacharéis, portadores de licenciatura curta, tecnólogos e estudantes.
A LDB, em seu artigo 62, estabelece claramente que:
Art. 62. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal.”
Por outro lado, a própria Resolução SE 98, de 2009, que regulamenta o processo de atribuição de aulas, prevê, em seus artigos 12 e 22:
Artigo 12 - a atribuição de aulas de disciplinas do Ensino Fundamental e Médio, em nível de Unidade Escolar e de Diretoria de Ensino, tanto no processo inicial, quanto durante o ano, far-se-á aos inscritos devidamente habilitados, portadores de diploma de licenciatura plena na disciplina a ser atribuída, seja como habilitação específica ou como não específica desta licenciatura.
§ 1º - Esgotadas as possibilidades de atribuição a docentes e candidatos devidamente habilitados, as aulas remanescentes poderão ser atribuídas por qualificações docentes, observada a seguinte ordem de prioridade:
1 - aos portadores de diploma de licenciatura curta, apenas nas disciplinas decorrentes desta licenciatura e exclusivamente no Ensino Fundamental;
2 - a alunos de último ano de curso devidamente reconhecido de licenciatura plena, somente na disciplina específica desta licenciatura;
3 - a portadores de diploma de bacharel ou de tecnólogo de nível superior, desde que na área da disciplina a ser atribuída, identificada pelo histórico do curso.
§ 2º - Se ainda comprovada a necessidade, poderá haver, exclusivamente em nível de Diretoria de Ensino, atribuição de aulas na seguinte conformidade:
1 - a portadores de diploma de licenciatura plena em disciplina diversa, desde que da área da disciplina a ser atribuída, identificada pelo histórico do curso;
2 - a alunos de curso devidamente reconhecido de licenciatura plena, na disciplina específica da licenciatura, que já tenham cumprido, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) do curso;
3 - a alunos do último ano de curso devidamente reconhecido de bacharelado ou de tecnologia de nível superior, desde que da área da disciplina a ser atribuída, identificada pelo histórico do curso;
4 - a alunos de curso devidamente reconhecido de licenciatura plena, na disciplina específica, ou de bacharelado/tecnologia de nível superior, na área da disciplina, que se encontrem cursando qualquer semestre.
§ 3º - a atribuição de aulas da disciplina de Educação Física, em observância à Lei Estadual nº 11.361/2003, será efetuada apenas a docentes e candidatos devidamente habilitados, portadores de diploma de licenciatura plena na disciplina, vedada a atribuição nos termos dos parágrafos anteriores.
§ 4º - Os alunos de cursos de nível superior deverão comprovar, no momento da inscrição e a cada sessão de atribuição de aulas durante o ano, a matrícula no respectivo curso, bem como a efetiva frequência, no semestre correspondente, mediante documentos atualizados (atestado/declaração) expedidos pela instituição de ensino superior que esteja regularmente frequentando.
§ 5º - o candidato à contratação que não possua habilitação ou qualquer qualificação para a disciplina ou área de necessidade especial cujas aulas lhe sejam atribuídas, será contratado a título eventual, até que se apresente candidato habilitado ou qualificado, para o qual perderá as referidas aulas.
§ 6º - a identificação da área da disciplina, a que se condicionam as qualificações previstas nos §§ 1º e 2º deste artigo, deverá se processar mediante a análise do histórico do curso, em que se registre, no mínimo, o somatório de 160 (cento e sessenta) horas de estudos de disciplinas afins/conteúdos da disciplina a ser atribuída, que passará a ser identificada como disciplina correlata do referido curso.
§ 7º - o diploma e o histórico do curso de bacharelado ou de tecnologia de nível superior, cuja apresentação é obrigatória para o registro da habilitação específica, no cadastro de qualificação do portador de certificado de licenciatura plena, obtido nos termos da Resolução CNE nº 2/97 ou da Portaria Ministerial nº 432/71 (Esquema I), também se prestarão à identificação de disciplinas correlatas, conforme dispõe o parágrafo anterior.”
(..)
Artigo 22 – o docente, ao qual se tenham atribuído aulas para as quais não possua habilitação, perderá a qualquer tempo as referidas aulas, na existência de candidato portador de licenciatura plena correspondente, excetuado desta perda o portador de diploma de licenciatura curta, com aulas atribuídas de disciplina de sua formação, no ensino fundamental.”
Apesar de termos alertado insistentemente a Secretaria Estadual da Educação sobre a ilegalidade cometida, prosseguiu o Governo do Estado com o mesmo procedimento, resultando em que muitos candidatos não habilitados obtiveram aulas, em detrimento de professores devidamente habilitados. Nos casos em que foi possível localizar a anomalia, professores habilitados requereram tais aulas, na forma da lei e dos regulamentos da atribuição de aulas, mas a orientação das autoridades educacionais do Estado aos dirigentes regionais de ensino foi a de ignorar estes requerimentos, alegando que o principal critério de classificação é a nota obtida na prova realizada em dezembro de 2009.
Ora, é evidente que um governo estadual ou municipal não pode criar uma norma que colida com a legislação superior, como é o caso da LDB. Ao mesmo tempo, a nota obtida em um processo de avaliação, qualquer que seja, não pode criar uma qualificação que desrespeite, igualmente, a principal lei educacional do país, sobretudo neste caso, em que é explicita a exigência de habilitação em nível superior para o exercício do magistério. A forma como o Governo realizou a atribuição de aulas fere, portanto, os direitos dos professores habilitados que foram preteridos no processo de atribuição de aulas em favor de candidatos não habilitados.
Pelo exposto, estamos lutando, por todos os meios ao nosso alcance, no sentido de reverter todos os casos em que a LDB não foi respeitada, assegurando que as aulas disponíveis sejam destinadas a quem possua a habilitação.
Trata-se da defesa de uma conquista importante para os educadores e para a educação brasileira, obtida na década de 1990 com muita luta e mobilização e não podemos admitir qualquer retrocesso neste momento, pois a correta habilitação dos professores é mais uma garantia da qualidade do ensino.

Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP
Membro do Conselho Nacional de Educação   

ENCONTRO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO (divulgando)

A pedido da Profª. Maria Teresa Santos Cunha, informamos que encontram-se abertas as inscrições para o III Encontro Maranhense de História da Educação, a realizar-se em São Luís entre 11 e 14 de maio de 2010. O evento tem como tema "A institucionalização da educação primária: percursos e desvios".
Todas as informações estão no sítio do evento: www.emhe3.ufma.br.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

MARCHINHA DA DILMA

Vamos lá Brasil... Todo mundo cantando!!!!!



Vamos mostrar que o nosso coral está afinado!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

QUANTA VERDADE HÁ NESTAS PALAVRAS!

"Sempre que ensinares, ensina a duvidarem do que estiveres ensinando".
José Ortega y Gasset

E ESTA, AGORA?

"Mestrado é só para o sujeito mostrar que é alfabetizado, pois metade dos que estão na universidade não sabe ler".Darcy Ribeiro

SOU PROFESSOR, MAS...

... "nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo".
Hermann Hesse

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

PROJETO LULA 2010 (LINUX PARA UNIVERSIDADES LATINOAMERICANAS)

O projeto LULA (Linux para universidades latinoamericanas) pretende criar uma distribuição Linux para compilar o software livre educativo utilizado no domínio das universidades latinoamericanas.

LULA é uma iniciativa coordenada pela Cátedra Telefónica da Universidad de Extremadura, em colaboração com as universidades: Universidade Federal de Santa Maria (Brasil), Universidad de Guadalajara (México), Universidad Nacional de Córdoba (Argentina), Universidad Nacional de Entre Ríos (Argentina), Universidad Nacional de La Plata (Argentina), Universidade do Porto (Portugal) e Universidad de Santiago de Chile (Chile).

Professores de universidades indicam as aplicações educacionais baseado em código aberto para o ensino de teoria e prática. A Cátedra Telefónica da Universidad de Extremadura irá recolher as petições de software e examinar a sua compatibilidade e adequação para a inclusão na distribuição.

Esta distribuição pode ser utilizada livremente. Um dos objectivos dasta iniciativa é promover a integração de software educacional em diferente países, e a troca de materiais educativos entre as universidades. Otro objetivo é formar os professores das diferentes universidades que utilizam aplicações de software no seu ensino. 


Pegue sua cópia AQUI

EVENTO

Divulgamos a realização do II Encontro de Memórias e Hístória da Educação Profissional: cultura, saberes e práticas que acontecerá em 16 e 17 de setembro de 2010, no Parque da Juventude, em São Paulo / SP.

As inscrições de resumos dos trabalhos estão abertas e maiores informações pelo site www.cpscetec.com.br no link memórias e em eventos.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

CRIATIVIDADE É TUDO

Só mesmo vendo!
Este povo é mesmo criativo! Boa propaganda do Socialismo em conjugação com o linux!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

MOMENTO HUMOR

Diz o elefante para o camelo:
És um animal muito estranho!
O camelo pergunta: Por quê?
O elefante responde: Tens as mamas nas costas!
O camelo, irritado, diz para o elefante: estranho és tu! - responde o elefante.
Estranho eu? Por quê?
Diz-lhe o camelo: Tens a “pilinha” na cara!

INFORMATIVO DA CAPES


MERCOSUL: Admissão de diplomas tem nova regulamentação.

Apenas estrangeiros que venham lecionar no Brasil terão o benefício da admissão de títulos e graus acadêmicos obtidos em países partes do MERCOSUL. Essa é uma das decisões da reunião do Conselho Mercado Comum (CMC), realizada neste mês (dezembro), em Montevidéu, Uruguai.

Durante o encontro, foi aprovada a Decisão 29/09, que aprova a regulamentação do Acordo de Admissão de Títulos e Graus acadêmicos para o Exercício de Atividades Acadêmicas nos Estados Partes do MERCOSUL.

Com essa regulamentação, o acordo somente terá efeito para estrangeiros provenientes dos demais países do Bloco, que venham a lecionar no Brasil. Os brasileiros não poderão se valer desse acordo.

O artigo 2, denominado “Da Nacionalidade”, trata do tema e explica que “a admissão de títulos e graus acadêmicos, para os fins do Acordo, não se aplica aos nacionais do país onde sejam realizadas as atividades de docência e de pesquisa”.



FONTE:  http://www.capes.gov.br

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A IMPORTÂNCIA DO SONO NA APRENDIZAGEM

O sono é fundamental para a vida e a saúde. Mas não  devemos pensar no sono apenas como um repouso para o cérebro, mesmo porque ele continua ativo enquanto dormimos - muito mais ativo do que imaginamos - principalmente no que diz respeito à memorização e, por conseguinte, à aprendizagem. 
Isso porque o sono não serve somente para apagar informações desnecessárias apreendidas durante o dia, como também para reforçar o que foi aprendido e que é importante que seja memorizado. 
Hoje, os cientistas são unânimes em afirmar que é necessária uma boa noite de sono para "consolidar" o que foi aprendido durante o dia.
Pesquisas feita pelos israelenses Dov Sagi e Avi Karni, em 1993, e confirmadas pelos norte-americanos Allan Hobson e Robert Stickgold, comprovaram que o sono profundo, durante a primeira metade da noite, é essencial para a consolidação do aprendizado.
Mas isso não quer dizer que o sono cheio de sonhos da segunda metade seja inútil. Muito pelo contrário: os mesmos cientistas comprovaram que quem dorme a noite toda consegue resultados quase três vezes melhores do que quem dorme pouco, ou seja, que só dorme a primeira metade do sono. 
Os estudiosos definiram, então, que o processo de aprendizado (em termos neurofisiológicos) se dá em três fases: a primeira durante a prática (durante a aula, por exemplo); a segunda durante as primeiras horas do sono, e a terceira, durante o sono do final da madrugada, o "sono dos sonhos". 
Está também comprovado que os estudantes que fazem exercícios de relaxamento antes de dormir, obtêm um sono mais rápido e mais profundo, e isso tende a tornar a aprendizagem do dia mais eficaz.

DURAÇÃO DA AULA NOS CURSOS SUPERIORES

  “Segundo o parecer CFE /CLN 28/92, de 20/1/92 “...Nos cursos de graduação ministrados por estabelecimentos de ensino superior, é de cinqüenta (50) minutos a duração da hora-aula, quer se trate de aula diurna, quer de aula noturna. A redução desse tempo representa inobservância da carga horária, vale dizer,descumprimento do currículo mínimo, o que torna cabível a aplicação das sanções previstas em lei. ...O Conselho Federal de Educação - órgão normativo, intérprete, na jurisdição administrativa, da legislação citada, incluindo-se na sua esfera de competência e de atribuições estabelecer a duração e o currículo mínimo dos cursos de ensino superior (Lei n.º 4.024/61, art. 9º, e) em diversos e conhecidos pronunciamentos consagrou como duração da hora-aula o tempo de cinqüenta (50) minutos, com um intervalo de dez (10) minutos, para descanso dos alunos, entre uma hora-aula e outra. E tendo presente esse tempo de duração da hora-aula, foram fixados currículos mínimos dos diversos cursos de graduação”. ( PARECER N.º: CNE/CEB: 08/2004)
     A finalidade da educação superior no Brasil é formar diplomados em áreas diferentes do conhecimento, para serem inseridos nos setores profissionais e colaborar na formação continua da sociedade brasileira. E para tal, para reforçar a carga de aprendizado, ampliou-se a duração do ano letivo regular, independentemente do ano civil, para o mínimo de duzentos dias de trabalho acadêmico efetivo, com exceção dos exames finais.     Os cursos com duração de três anos são reconhecidos, porém no contexto do acordo internacional feitos com o Mercosul, ao contemplar o acesso a mestrados e doutorados, determina-se a duração mínima de quatro anos.
Carga horária e currículo
      A Lei de Diretrizes e Bases-Lei n° 9.394, de 1996, estabeleceu algumas medidas referentes aos cursos superiores, como a eliminação da exigência de currículos mínimos, observância de diretrizes gerais para os currículos de cursos e programas de educação superior e ampliação da duração mínima do ano letivo regular (de 180 para 200 dias). Tal medida aumentou a autonomia das universidades, facilitou a expansão dos cursos superiores tanto na modalidade presencial, quanto dos cursos a distância.
A Lei permite que se opte por um período letivo anual, e também que se divida os 200 dias por dois semestres, ou por períodos inferiores (quadrimestre, trimestre) conforme a necessidade do curso.
     A nova LDB concede a alunos com comprovada capacidade de aproveitamento o direito de acelerar seus estudos, tornando a duração dos cursos também uma questão de escolha.
     Na mesma direção, a carga horária necessária para a integralização dos currículos não está mais presa à determinação de currículos mínimos para cada curso. Facultou-se às Instituições, portanto, ampla liberdade para a fixação do conteúdo necessário para que o estudante tenha atestado, pelo diploma, a formação recebida em seu curso superior.
Reformulação
     Em 7 de maio de 2003 o parecer que discorre sobre a duração dos cursos de graduação foi aprovado por unanimidade no congresso, porém aberto à discussões da sociedade sobre o tema, até o momento do parecer final. Em março de 2006 foi proposto pelo MEC e pelo departamento de supervisão do ensino superior a reanálise com relação à carga mínima dos cursos de graduação Ciências Biológicas; Educação Física, Farmácia, Fisioterapia e Fonoaudiologia, para que possam ser mais amplamente discutidas, além da revisão com relação a carga horária mínima para o curso de pedagogia, em função das Diretrizes Curriculares Nacionais para o referido curso.
     Durante todo o ano de 2006, ocorreram audiências públicas para a discussão do tema, reforçadas pela esperada reforma universitária. Nenhum curso poderá ter carga horária menor que 2.400 horas e a carga horária deve ser cumprida dentro dos 200 dias letivos que a LDB fixou, ficando a critério da instituição de ensino dimensionar a carga horária de seus cursos de bacharelado, fixar os tempos mínimos e máximos de integralização curricular por curso. Os estágios e atividades complementares dos cursos de graduação de bacharelado, na modalidade presencial, não deverão exceder a 20% (vinte por cento) da carga horária total do curso.
     O parecer final então foi dado em julho de 2006: a carga horária dos cursos de graduação foi ampliada de 180 para 200 dias letivos. A grande discussão sobre o caso foi a fixação de um limite base, sendo que cada curso é diferente do outro.
     A questão da duração dos cursos de graduação no Brasil é antiga, e está diretamente ligada à formação do Ensino Superior no país. Para escolher, o Brasil, tinha duas opções. De um lado, o sistema europeu, dotado de segundo grau de alta qualidade e de ensino universitário de natureza profissionalizante. De outro,o modelo americano, mesmo sem o peso histórico de influência, consciente da baixa qualidade de seu ensino médio, deixava o ensino universitário mais genérico e a profissionalização para o nível da pós-graduação.
     O Brasil escolheu um modelo híbrido. Com o ensino médio já frágil, optou pelo modelo de ensino profissionalizante precoce, no qual meninos e meninas de 17, 18 anos devem escolher qual profissão desejam seguir. Assim, o diploma universitário brasileiro não atesta o que se aprendeu nos estudos superiores não ligando, necessariamente, o diploma à licença profissional.
     O CNE deliberou sobre as diretrizes curriculares propostas pelo MEC em paralelo com a orientação da Lei. Porém as diretrizes, assim como muitos aspectos da referida lei, se chocam, com a matriz histórica do ensino superior no Brasil, Segundo o parecer final, cursos como, o de Medicina, Direito e Engenharia, profissões  tidas como “imperiais” ficariam inalteradas. Embora seja claro que as ordens profissionais, como a Ordem dos Advogados do Brasil-OAB e Conselho Federal de Administração (CFA), dentre outras, deverão ser ouvidas no sentido de se garantir a certificação profissional dos graduados.


FONTE: http://www.jornaldaeducacao.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=159&Itemid=60

A ARTE DE PRODUZIR FOME - RUBEM ALVES

Uma enorme lição de ensinar! 
 

Adélia Prado me ensina pedagogia. Diz ela: "Não quero faca nem queijo; quero é fome". O comer não começa com o queijo. O comer começa na fome de comer queijo. Se não tenho fome é inútil ter queijo. Mas se tenho fome de queijo e não tenho queijo, eu dou um jeito de arranjar um queijo...

Sugeri, faz muitos anos, que, para se entrar numa escola, alunos e professores deveriam passar por uma cozinha. Os cozinheiros bem que podem dar lições aos professores. Foi na cozinha que a Babette e a Tita realizaram suas feitiçarias... Se vocês, por acaso, ainda não as conhecem, tratem de conhecê-las: a Babette, no filme "A Festa de Babette", e a Tita, em "Como Água para Chocolate". Babette e Tita, feiticeiras, sabiam que os banquetes não começam com a comida que se serve. Eles se iniciam com a fome. A verdadeira cozinheira é aquela que sabe a arte de produzir fome...

Quando vivi nos Estados Unidos, minha família e eu visitávamos, vez por outra, uma parenta distante, nascida na Alemanha. Seus hábitos germânicos eram rígidos e implacáveis.

Não admitia que uma criança se recusasse a comer a comida que era servida. Meus dois filhos, meninos, movidos pelo medo, comiam em silêncio. Mas eu me lembro de uma vez em que, voltando para casa, foi preciso parar o carro para que vomitassem. Sem fome, o corpo se recusa a comer. Forçado, ele vomita.

Toda experiência de aprendizagem se inicia com uma experiência afetiva. É a fome que põe em funcionamento o aparelho pensador. Fome é afeto. O pensamento nasce do afeto, nasce da fome. Não confundir afeto com beijinhos e carinhos. Afeto, do latim "affetare", quer dizer "ir atrás". É o movimento da alma na busca do objeto de sua fome. É o Eros platônico, a fome que faz a alma voar em busca do fruto sonhado.

Eu era menino. Ao lado da pequena casa onde morava, havia uma casa com um pomar enorme que eu devorava com os olhos, olhando sobre o muro. Pois aconteceu que uma árvore cujos galhos chegavam a dois metros do muro se cobriu de frutinhas que eu não conhecia.

Eram pequenas, redondas, vermelhas, brilhantes. A simples visão daquelas frutinhas vermelhas provocou o meu desejo. Eu queria comê-las.

E foi então que, provocada pelo meu desejo, minha máquina de pensar se pôs a funcionar. Anote isso: o pensamento é a ponte que o corpo constrói a fim de chegar ao objeto do seu desejo.

Se eu não tivesse visto e desejado as ditas frutinhas, minha máquina de pensar teria permanecido parada. Imagine se a vizinha, ao ver os meus olhos desejantes sobre o muro, com dó de mim, tivesse me dado um punhado das ditas frutinhas, as pitangas. Nesse caso, também minha máquina de pensar não teria funcionado. Meu desejo teria se realizado por meio de um atalho, sem que eu tivesse tido necessidade de pensar. Anote isso também: se o desejo for satisfeito, a máquina de pensar não pensa. Assim, realizando-se o desejo, o pensamento não acontece. A maneira mais fácil de abortar o pensamento é realizando o desejo. Esse é o pecado de muitos pais e professores que ensinam as respostas antes que tivesse havido perguntas.

Provocada pelo meu desejo, minha máquina de pensar me fez uma primeira sugestão, criminosa. "Pule o muro à noite e roube as pitangas." Furto, fruto, tão próximos... Sim, de fato era uma solução racional. O furto me levaria ao fruto desejado. Mas havia um senão: o medo. E se eu fosse pilhado no momento do meu furto? Assim, rejeitei o pensamento criminoso, pelo seu perigo.

Mas o desejo continuou e minha máquina de pensar tratou de encontrar outra solução: "Construa uma maquineta de roubar pitangas". McLuhan nos ensinou que todos os meios técnicos são extensões do corpo. Bicicletas são extensões das pernas, óculos são extensões dos olhos, facas são extensões das unhas.

Uma maquineta de roubar pitangas teria de ser uma extensão do braço. Um braço comprido, com cerca de dois metros. Peguei um pedaço de bambu. Mas um braço comprido de bambu, sem uma mão, seria inútil: as pitangas cairiam.

Achei uma lata de massa de tomates vazia. Amarrei-a com um arame na ponta do bambu. E lhe fiz um dente, que funcionasse como um dedo que segura a fruta. Feita a minha máquina, apanhei todas as pitangas que quis e satisfiz meu desejo. Anote isso também: conhecimentos são extensões do corpo para a realização do desejo.

Imagine agora se eu, mudando-me para um apartamento no Rio de Janeiro, tivesse a idéia de ensinar ao menino meu vizinho a arte de fabricar maquinetas de roubar pitangas. Ele me olharia com desinteresse e pensaria que eu estava louco. No prédio, não havia pitangas para serem roubadas. A cabeça não pensa aquilo que o coração não pede. E anote isso também: conhecimentos que não são nascidos do desejo são como uma maravilhosa cozinha na casa de um homem que sofre de anorexia. Homem sem fome: o fogão nunca será aceso. O banquete nunca será servido.

Dizia Miguel de Unamuno: "Saber por saber: isso é inumano..." A tarefa do professor é a mesma da cozinheira: antes de dar faca e queijo ao aluno, provocar a fome... Se ele tiver fome, mesmo que não haja queijo, ele acabará por fazer uma maquineta de roubá-los. Toda tese acadêmica deveria ser isso: uma maquineta de roubar o objeto que se deseja...

Rubem Alves, 68, é educador e psicanalista. Está relendo "O Livro dos Seres Imaginários", de Jorge Luis Borges. Acabou de escrever um livro para suas netas —uma máquina do tempo a viajar pelo seu mundo de menino. Conta da casa de pau-a-pique, do fogão de lenha, do banho na bacia. Lançou "Conversas sobre Política" (Verus).

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