segunda-feira, 31 de agosto de 2009

ENQUANTO ELES(AS) PENSAM... TEMOS BOAS NOVAS



Embora se trate de um PL (projeto de lei), eis, a seguir, uma notícia que pode animar os professores da Educação Básica.

Espero que esse PL se transforme, rapidinho, em Lei - mas que seja cumprida e não mais um exemplar da já característica brasileira do não cumprimento dos textos legais:


Depois de aprovar a lei que institui o piso salarial nacional para o magistério (Lei 11.739/08), o Senado quer agora ampliar os mecanismos de valorização do professor da educação básica. O propósito é a criação de incentivos para professores que se dediquem exclusivamente ao ensino. Esse é o objetivo, por exemplo, de projeto (PLS 4/08) que garante salários equivalentes a pelo menos 70% da remuneração de docentes das universidades federais para professores da educação básica com dedicação exclusiva e com a mesma qualificação.

Em termos práticos, um professor da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) com doutorado, por exemplo, ganharia no mínimo R$ 4.550, já que um colega em uma universidade federal recebe R$ 6.500 assim que ingressa na carreira como doutor.

Aprovado pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), a proposta poderia já estar na Câmara, mas um recurso à decisão da comissão - com base na resistência do governo ao projeto dos senadores Cristovam Buarque (PDT-DF), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Augusto Botelho (PT-RR) - remeteu ao Plenário a decisão final sobre o assunto.

O relator, senador Gerson Camata (PMDB-ES), considera injusto que a remuneração na educação básica seja um fator de desmotivação dos professores.

- O magistério brasileiro apresenta graves distorções salariais, uma vez que as remunerações são maiores na educação superior, que atrai os melhores quadros, até pelo conforto no trato com um público adulto e maduro. O sistema atual, perverso por natureza, reserva à educação básica os profissionais menos qualificados - reclama Camata.

Restrições

O Ministério da Educação, no entanto, por meio da coordenadora-geral de Formação de Professores da Secretaria de Educação Básica, Helena Costa Lopes de Freitas, comunicou que não considera a proposta viável, por não ter como financiá-la. Segundo ela, o governo tem dificuldades até mesmo para pagar o piso nacional para os professores da educação básica, que foi questionado na Justiça.

Na opinião de Cristovam Buarque, porém, o financiamento é uma questão de definição das prioridades nacionais. Para ele, primeiro deve-se discutir o mérito da proposta para, então, buscar os recursos para implementá-la.

Em outra proposta, já aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e que está na pauta de votação da CE, Cristovam também prevê o incentivo à dedicação exclusiva como forma de tornar os salários mais atrativos. O projeto (PLS 320/08) cria o abrangente Programa Federal de Educação Integral de Qualidade para Todos, para escolas estaduais e municipais, com uma Carreira Nacional do Magistério da Educação de Base. Esta teria como base o Plano de Carreira de Magistério do Ensino Básico do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, que é federal e hoje paga os melhores salários entre as escolas públicas.

Mesmo favorável ao projeto, a relatora na CCJ, senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), apresentou emenda para tornar o projeto autorizativo, já que a iniciativa da proposta deveria ser do Executivo.

Valorização do professor é condição para qualidade

Relatório de ciclo de debates realizado pela CE e apresentado pelo senador Cristovam Buarque à Presidência do Senado em fevereiro de 2007 aponta que os esforços para melhorar o ensino no Brasil têm que passar pela valorização do professor, ou seja, pela melhoria da remuneração desse profissional.

De acordo com o documento, os 2 milhões de professores da educação de base estão desmotivados "pela má remuneração, pela degradação do espaço de trabalho, pela falta de equipamentos e pelo resultado insatisfatório do seu esforço".

A impossibilidade de atrair profissionais bem qualificados e a falta de motivação dos que estão nas escolas impedem, então, a melhoria dos padrões educacionais como um todo.

- O Brasil só será um país educado quando, ao nascer uma criança, seus pais desejem que ela tenha a profissão de professor da educação básica. Hoje, o magistério chega a ser visto como atividade secundária. A definição de um padrão mínimo para salário e formação do professor é um passo fundamental. A revolução educacional só ocorrerá se o magistério atrair os quadros mais brilhantes - propõe Cristovam.

Para isso, o relatório defende que sejam definidos padrões nacionais de salário, formação e dedicação do professor, nos moldes do que ocorre com as empresas estatais, com concurso público nacional. A medida combateria a grande diversidade de salários, pagos pelos diferentes gestores educacionais, nos estados e municípios.

- O caminho é a definição de padrões nacionais para todas as 164 mil escolas públicas, independentemente da cidade onde estejam. Hoje, o resultado dessa diversidade é que a criança brasileira tem seu futuro condenado, em função da cidade onde tiver nascido ou viva - afirma o senador.

(A íntegra da reportagem estará disponível na edição semanal do Jornal do Senado a partir das 21h, no endereço www.senado.gov.br/jornal).

João Carlos Teixeira/ Jornal do Senado

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O QUE ELES(AS) PENSAM...(VI)

Diz-nos António Nóvoa que:

"A explosão escolar trouxe para o ensino uma massa de indivíduos sem as necessárias habilitações acadêmicas e pedagógicas, criando desiquilíbrios estruturais extremamente graves. Sob a pressão convergente do poder político e do movimento sindical procurou-se remediar a situação, através de três vagas sucessivas de programas: profissionalização em exercício, formação em serviço e profissionalização em serviço (...).

Estes programas revestiram-se de uma incontestável impoertância quantitativa e estratégica para o sistema educativo. Mas acentuaram uma visão degradada e desqualificada dos professores e, sobretudo, sublinharam o papel do Estado no controlo da profissão docente, pondo em causa a autonomia relativa que as instituições de formação de professores tinham conquistado".

NÓVOA. António. Formação de professores e profissão docente. In: __________. (Coord.) Os professores e a sua formação. Lisboa: Publ. D. Quixote. 1995 (p.21).

COMENTÁRIO PESSOAL:

Encontramos aqui, nestas palavras de Nóvoa, a explicação para a desvalorização da profissão docente e, muito mais, o motivo pelo qual o próprio professor está sem o menor prestígio. Por outro lado, também podemos (sem grande esforço de reciocínio) perceber o porquê de o nosso curso estar trilhando um caminho tão acidentado.

Mas a pergunta não quer calar e a resposta está louca para "estalar" no ar, feito chicote bramido a nos fustigar as carnes. Qual o fenômeno que está por trás dessa situação? A resposta está diante de nossos olhos, mas muitos de nós preferimos não ver (ou simplesmente ignorar por comodismo): o crescimento desenfreado da produção e, consequentemente, a ganância dos homens por mais lucros! Foi, é e será preciso fornecer mão de obra minimamente qualificada ao capitalista para que ele possa, a cada dia, obter mais e mais lucros.

Essa mão de obra "minimamente qualificada" significa que o trabalhador deverá, hoje e no futuro, saber cada vez menos sobre muitíssimas coisas: isso causa uma formação aligeirada, uma formação deficiente que se reproduz na proporção avassaladora de um para várias centenas (um professor mal formado, forma centenas de maus alunos e futuros profissionais, dentre os quais os profissionais da educação).

É um ciclo bem viciado que precisa, urgentemente, ser quebrado, ou corremos o risco de ser substituídos por "máquinas falantes": robôs humanizados e homens robotizados.

D I V U L G A Ç Ã O



Apenas para trazer a algum leitor ocasional que por aqui passe que estão abertas as pré-inscrições para uma Pós (lato sensu) - Especialização - em Educação Infantil, lá na URCA onde trabalho e vou ter o prazer de coordenar este curso.

Quem desejar obter maiores informações, por favor, entrar em contato com o fone (88) 31021212 - ramal 2782 (com Edilma). Pode também enviar e-mail para pos.infantil@gmail.com

Aguardamos os vossos contatos!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O QUE ELES(AS) PENSAM...(V)

"O professor precisa compor-se com a atualização permanente, porquanto, se o conhecimento, de um lado, é aquilo que a tudo inova, do outro lado da mesma moeda é aquilo que a tudo envelhece. Nada envelhece mais rápido que o conhecimento inovador. Como regra, quando os alunos se formam, já estão encanecidos, seja porque foram apenas 'ensinados' ou só viram 'café velho', seja porque não possuem formação básica propedêutica adequada que os leve sempre a pesquisar e a elaborar com mão própria. Sem desprezar o domínio dos conteúdos, necessário para o exercício profissional, o conhecimento moderno valoriza mais o domínio metodológico, representado no saber pensar e no aprender a aprender. A questão dos conteúdos é afetada por dois problemas modernos:

a) não é mais viável dominar conteúdos extensamente. Ninguém consegue saber a matemática toda, ou qualquer disciplina. Inevitavelmente, conhecer é conhecer por parte, de modo aproximado e seletivo;

b) quando se imagina dominar conteúdos, já estão velhos, diante da velocidade cada vez maior da inovação.

Será, pois, mister mudar algumas expectativas usuais, tais como:

a) nenhum estudo é terminado, a rigor; os diplomas deveriam ser provisórios;
b) todos os alunos precisam retornar à universidade, sendo este compromisso mais decisivo que o de certificar;
c) mais que títulos acadêmicos, vale a competência produtiva científica continuada;
d) estudar sempre não é apenas problema do professor, mas de todo profissional que queira manter-se em dia com o conhecimento moderno;
e) o centro da competência é a sua capacidade de reconstrução de si mesma".

DEMO, Pedro. Professor do futuro e reconstrução do conhecimento. In: MACIEL, L. S. Bomura & SHIGUNOV NETO, Alexandre. Formação de professores: passado, presente e futuro. São Paulo: Cortez, 2004 (pp. 121-2)

COMENTÁRIO PESSOAL:

Não se pode negar o valor da formação continuada, mas se não houver uma prévia formação básica capaz de lhe dar suporte, o processo de (re)construção do conhecimento ou da assimilação deconhecimentos novos estará fortemente comprometido.

domingo, 16 de agosto de 2009

O QUE ELES(AS) PENSAM... (IV)

Falar de formação de professores implica falar de teorias políticas e filosóficas que as embasam. Na nossa realidade, malgrado tenhamos no presente um governo dito de esquerda, para a educação, as políticas ainda se apresentam sob a égide do ideário neoliberal, que prega, entre outras coisas, a qualidade total na educação, como se uma fábrica fosse. Assim, Frigotto (2000) vai nos dizer que o neoliberalismo:

"Sob as categorias de qualidade total, formação abstrata e polivalente, flexibilidade, participação, autonomia e descentralização está impondo uma atomização e fragmentação do sistema educacional e do processo de conhecimento escolar".

FRIGOTTO, Gaudêncio. Os delírios da razão: crise do capital e fase conceitual no campo educacional. In: GENTILI, Pablo (org.). Pedagogia da exclusão social: crítica ao neoliberalismo em educação. 6ª ed. Petrópolis: Vozes, 2000 (pp.77-108).

Cabe ainda questionar:
- Qual sistema de ensino? Nós já tivemos um?
- Autonomia... de quê e onde? Qual hegemonia nos estão querendo fazer acreditar que existe?

Vale a pena refletir um pouco sobre estas questões!

sábado, 15 de agosto de 2009

O QUE ELES(AS) PENSAM... (III)

"Distingo na existência do curso de Pedagogia no Brasil basicamente três fases: a primeira vai do seu nascimento em 1939, na Faculdade Nacional de Filosofia, da Universidade do Brasil até a Lei nº 5.540 (Brasil, 1968) - mais conhecida como 'Reforma Universitária'; a segunda, da Lei nº 5.540 até a LDB, instituída pela Lei nº 9.394 (Brasil, 1996), e a terceira, dessa época até os dias atuais".

(...)

"Na primeira fase (do nascimento até a reforma universitária de 1968) (...) o curso era composto de doismomentos, configurando o conhecido 'esquema 3+1' (...). Na segunda fase (da reforma universitária até a LDB nº 9.394/96) o curso passa a ser regulado pelo Parecer nº 252 (Brasil, 1969) e pela Resolução nº 2 (Brasil, 1969). (...) Em ambas as fases, é notória a inspiração epistemológica no paradigma da racionalidade técnica".

(...)

Na terceira fase, representada pelo presente e pelo pós 9.394/96, afirma a autora que:

"Aprender a ser professor, nesse contexto, não é, portanto, tarefa que se conclua após estudos de um aparato de conteúdo e de técnicas para a transmissão deles. É uma aprendizagem que deve se dar por meio de situações práticas que sejam efetivamente problemáticas, o que exige o desenvolvimento de uma prática reflexiva competente".

LIMA, Emília Freitas de. Formação de professores - passado, presente e futuro: o curso de Pedagogia. In: MACIEL, L. S. Bomura; SHIGUNOV NETO, A. Formação de Professores, passado, presente e futuro. São Paulo: Cortez, 2004.

COMENTÁRIO PESSOAL:

Uma leitura interessante, como poucas que tenho feito, na medida em que a realidade da formação do professor está posta de forma clara e objetiva, sem aquela falsa pretensão de querer "descobrir a roda". Uma abordagem corajosa, a meu ver, pois diz aquilo que é preciso ser dito sem grandes alardes, mas com bastante ênfase. Basta que cada um de nós coloque a mão na consciência para perceber que as palavras de Emília Freitas são aquelas que nos vão na garganta, mas não ousam sair.

Eu concordo plenamente com a forma como ela analisa a atualidade (fruto de um passado comprometedor) da formação do professor. Aliás, quem trabalha comigo sabe da minha luta para tentar demonstrar a necessidade de se modificar esse sistema formativo. Recomendo fortemente a leitura deste texto.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

YOUTUBE EDU

O Maior site de partilha de vídeo - YouTube - lançou no passado mês de Março uma nova secção dedicada às Universidades intitulado YouTubeEDU (http://www.youtube.com/edu ), respondendo ao desafio de várias Universidades que há muito partilhavam os seus vídeos no YouTube.

A adesão das universidades a esta iniciativa tem superado as expectativas e neste momento já existem 100 universidades a publicar os seus vídeos no YouTubeEDU, com um total de 20.000 vídeos e 200 cursos completo. (Fonte: http://www.oculture.com/2009/03/a_closer_look_at_youtube_edu.html)

Das universidades que já participam no YouTube, destacam-se os canais do MIT, Berkeley, Stanford, Harvard e Yale por terem mais utilizadores subscritos. O Canal do MIT já ultrapassa os 25.000 assinantes!

Há que destacar a importância desta iniciativa, que vai de encontro à necessidade das Universidades em promoverem suas actividades numa das maiores comunidades online que é o YouTube. Em vez de centralizarem seus conteúdos nos seus próprios sites, as Universidades alargam o seu raio de influência e reforçam a importância de se ir ao encontro das pessoas que todos os dias pesquisam por vídeos no YouTube, numa estimativa de 5 Biliões visto por mês! (Fonte: http://newteevee.com/2008/12/17/weekday-online-vid-watching-trumps-weekends-nielsen/#more-14291).

O Laboratório de e.Learning deseja aproveitar esta oportunidade para conhecer a opinião da comunidade do Ciência na Escola sobre as seguintes questões:

1. Utiliza vídeos educativos, presentes no Youtube, nas suas actividades educativas?

2. Concordam que a divulgação de vídeos de universidades portuguesas seria uma boa prática para consciencializar os alunos sobre a vida universitária?


O QUE ELES(AS) PENSAM... (II)

"A construção dos currículos dos cursos que preparam professores para os dois primeiros graus do ensino precisa incluir a discussão de como esses currículos podem melhor contribuir para o rompimento com a visão etnocêntrica que somente concebe como cultura as formas culturais dominantes".

MOREIRA, Antonio Flávio Barbosa. A formação de professores e o aluno das camadas populares: subsídios para o debate. In: ALVES, Nilda (org.). Formação de professores: pensar e fazer. São Paulo: Cortez Editora, 2006 (p.40).

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O QUE ELES(AS) PENSAM... (I)


"Começo por esboçar as duas perspectivas de análise de formação do professor: a do tecnólogo do ensino e a do agente social. Dessa forma, ao refletir sobre essas perspectivas, é preciso explicar que, de um lado, procuro caracterizar a identidade profissional do professor, expressa nas políticas oficiais, ou seja, daquelas diretrizes instituídas e organizadas pelo governo por meio de seus órgãos competentes, e, de outro, enfatizo o posicionamento conjunto dos movimentos da sociedade civil, mais ou menos organizados por diferentes entidades representativas dos educadores, comprometidos com a defesa da educação pública brasileira, anunciando, assim, uma nova cultura política".

VEIGA, Ilma Passos de Alencastro. Formação de professores: políticas e debates. Campinas: Papirus, 2oo2, pp.70-71.


Comentário pessoal:

A lementar que muitos, a maioria dos nossos educadores, não possam ser inseridos que naquela primeira perspectiva. O comprometimento com a educação pública ficou apenas nos registros verbalizados em discursos inflamados nos momentos de exacerbação tão próprios do período de graduação durante a vida acadêmica. A utopia de mudar o mundo breve se perde no caminho tortuoso do dia-a-dia.

DEPOIS DE UMA PARADA ESTRATÉGICA...



... é hora de iniciar uma série a que darei o nome: "O QUE ELES(AS) PENSAM...".

Pretendo que seja algo:
leve, mas objetivo;
pequeno, mas significativo;
Não direcionado, mas sem perder o norte;
forte sem ser agressivo;
marcante, sem ser indelével.

A temática está no título do próprio blogue.

Aceito sugestões e contribuições.

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